O regime sírio autorizou o envio de ajuda humanitária pela ONU para a cidade rebelde de Madaya, perto de Damasco, cercada pelo exército, onde 42.000 pessoas permanecem sem recursos alimentares, e a duas outras localidades do noroeste.

“A ONU recebe com satisfação a autorização do Governo sírio em permitir o acesso a Madaya, Foua e Kafraya, e prepara-se para fornecer assistência humanitária [a estas localidades] nos próximos dias”, indica um comunicado das Nações Unidas.

Apesar de serem os rebeldes que podem autorizar o acesso às localidades de Foua e Kafraya, que mantêm sob cerco, as ajudas da ONU devem partir de Damasco e atravessar as zonas controladas pelo regime.

De acordo com o gabinete de coordenação dos assuntos humanitários da ONU (OCHA), “cerca de 42.000 pessoas encontram-se à beira da fome em Madaya e a ONU recebeu relatórios credíveis sobre pessoas que morrem de fome e que foram mortas ao tentar sair da cidade”.

Os comboios humanitários conseguiram alcançar pela última vez as cidades rebeldes de Zabadani e Madaya, e as localidades de Foua e Kafraya, há quase três meses, em 18 de outubro.

Desde então, “o acesso a Madaya foi impossível apesar dos números pedidos nesse sentido”, segundo a ONU.

O Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH), que dispõe de uma vasta rede de informações no terreno na Síria em guerra, informou por sua vez que pelo menos dez pessoas já morreram em Madaya devido à falta de medicamentos e de alimentos. Outras 13 foram mortas pela explosão de minas colocadas pelas forças do regime ou por atiradores furtivos quando tentavam abandonar a cidade em busca de alimentos.

Uma vasta campanha foi desencadeada nas redes sociais para permitir o envio de alimentos e outros bens de primeira necessidade para esta população.

“De facto, falta tudo” em Madaya, resumiu Pawel Krzysiek, porta-voz do Comité internacional da Cruz Vermelha, que esteve na cidade durante a última operação de ajuda humanitária em outubro.

“As pessoas estão há muito sem alimentos de base, sem medicamentos de base, sem eletricidade e água (…). Vi de facto a fome nos olhos das pessoas”.