Enquanto Espanha permanece sem governo e o líder dos socialistas espanhóis, que se reuniu esta quinta-feira com António Costa, elogia a “grande coligação de forças progressistas” portuguesa (coligação que diz querer replicar em Espanha), o jornal El Español escreveu um artigo sobre como decorreram as negociações para formação de governo em Portugal. Para tal falou com o ministro das Finanças, Mário Centeno, com o porta-voz do PS, João Galamba, e com o líder da bancada parlamentar do PCP, João Oliveira.

A visão de Centeno

Como foram então as negociações dos socialistas com bloquistas e comunistas? “Foram muitas horas, sessões de maratona“, recordou Mário. “Todos temos as nossas posições […]. Mas a base para se poder negociar é aprender a fazer cedências”, acrescentou o ministro das Finanças de António Costa, que elogiou ainda os resultados das negociações:

“Foram [negociações] frutíferas. Ninguém [nenhum partido] consegue tudo aquilo que quer, mas juntos podemos conseguir mais do que se estivermos separados“, afirmou Centeno.

O segredo segundo Oliveira

O jornal digital espanhol quis ainda ouvir o líder da bancada parlamentar do PCP, João Oliveira, e o deputado e porta-voz socialista João Galamba. O deputado comunista, que esteve presente nas negociações com o Partido Socialista, recorda qual foi o segredo para chegarem a acordo:

Não evitámos convergências, mas também não escondemos as nossas diferenças. Os nossos compromissos são com o povo”, sublinhou.

A esperança de Galamba

Já João Galamba, porta-voz do PS e um dos responsáveis pela articulação entre os socialistas e as forças políticas à sua esquerda (PCP, BE e PEV), mostra confiança quanto ao cumprimentos dos três acordos assinados:

“Temos um acordo entre todos e a legislatura é de quatro anos. Estamos empenhados em que resulte bem. É isso que desejamos”, disse.

Tal como o PS de António Costa fez em Portugal, também o PSOE vai votar “não” a um governo liderado pela força mais política votada nas eleições espanholas, o Partido Popular, de Mariano Rajoy, que venceu com maioria relativa. O líder dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez, esteve esta quinta-feira reunido com o primeiro-ministro português na sede nacional do PS, em Lisboa, onde elogiou os acordos assinados pelo PS com os partidos à sua esquerda:

“Portugal tomou a posição certa (…) Quando as forças de mudança se unem multiplicam-se os benefícios para a maioria dos cidadãos e o governo de António Costa é a melhor prova disso“, sublinhou Pedro Sánchez. Albert Rivera, líder do Ciudadanos, rejeitou por sua vez as comparações, sublinhando as diferenças entre os partidos de esquerda portugueses e os espanhóis: “A situação em Portugal é diferente: não existem partidos no Governo que reivindiquem a rutura de um território ou a sua separação”, referindo-se à exigência da esquerda espanhola em referendar a independência da Catalunha.

Já o porta-voz do PP, Rafael Hernando, pediu aos socialistas espanhóis para olharem antes para a situação política alemã (onde os dois maiores partidos governam em coligação), em vez de se focarem na portuguesa: “Portugal pode ser um país serio, mas parece-me mais séria a Alemanha” disse esta quinta-feira, em entrevista à Cadena Ser.

Texto editado por Filomena Martins