O Iraque negou hoje as acusações feitas pela Turquia de que os seus soldados situados numa base controversa perto da cidade de Mosul mataram 18 jihadistas após um ataque, noticia a Agência France Presse (AFP).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan anunciou sexta-feira na televisão que o grupo extremista Estado Islâmico (EI) tinha tentado infiltrar-se na base na área de Bashiqa, acrescentando que as tropas turcas, que estão na base militar para treinar as forças iraquianas, repeliram o ataque do EI, matando os 18 membros.

No entanto, o Comando de Operações Conjuntas em Bagdade negou categoricamente que qualquer coisa tenha acontecido.

No comunicado emitido pelos iraquianos é dito que o Comando “nega qualquer ataque terrorista contra forças turcas pelo Daesh (EI) na área de Bashiqa”.

Um coronel das forças curdas Peshmerga, que controlam a área, também negou que a base turca tenha sido atacada falando à AFP sob condição de anonimato.

A fonte disse que o EI tinha disparado alguns tiros de morteiro na área, mas não na base especificamente e que a resposta a esse ataque foi tratado pelos curdos Peshmerga.

O Iraque argumenta que a Turquia tem colocado tropas e equipamento em Bashiqa sem pedir autorização a Bagdade, violando a soberania nacional.

A linha de frente de Mosul contra o Estado Islâmico é controlada pelas forças Peshmerga da região autónoma do Curdistão, com quem Ancara tem laços muito estreitos.

A presença militar da Turquia no Iraque tornou-se um pomo de discórdia, com Bagdade a acusar Ancara de usar o pretexto de treino militar para aumentar a sua influência no norte do país.

A base perto Bashiqa é uma área controlada pelo curdos Peshmerga mas não faz parte das fronteiras oficiais da região autónoma curda.

Bagdade levou a questão ao Conselho de Segurança da ONU e ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de forma a pressionar a Turquia.

Como consequência, a Turquia retirou algumas tropas da base no mês passado mas ainda não está claro quantos soldados permanecem em Bashiqa.