A informação consta do relatório semanal do banco central sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, ao qual a Lusa teve hoje acesso, relativamente à venda de divisas entre 04 e 08 de janeiro.

Trata-se de um montante equivalente a 5,5% das vendas do BNA na semana anterior (135,1 milhões de dólares), que já então foram de mínimos de 2015.

De acordo com a mesma informação, a venda de divisas na primeira semana do ano destinou-se à “cobertura de operações” da empresa pública Rede Nacional de Transporte de Eletricidade (RNT) e foi concretizada a uma taxa de câmbio média de 156,387 kwanzas (92 cêntimos) por cada dólar, inalterada face à última semana de 2015.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica face à redução de receitas fiscais do petróleo, e por consequência cambial, devido à redução da entrada de divisas no país, necessárias para garantir as importações de máquinas, matéria-prima e alimentos.

Persiste a forte redução da disponibilidade de moeda estrangeira no país, sendo o montante vendido aos bancos limitado às necessidades mais urgentes do sistema bancário e que obrigam a autorização do banco central.

Alguns bancos angolanos limitaram a venda de divisas a clientes a um máximo de 1.000 dólares (918 euros) por semana e bancos norte-americanos têm vindo a anunciar a suspensão de venda de dólares a Angola.

Com as dificuldades no acesso a moeda estrangeira nos bancos, o mercado paralelo, de rua, apresenta taxas de câmbio que rondam os 270 kwanzas por cada dólar, para compra de moeda estrangeira.

A falta de divisas, em função da procura, continua a dificultar, por exemplo, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.