Rádio Observador

Benfica

A defesa dá tiros nos pés. Jonas dá-os nas redes

Não é por acaso que Jonas tem o epíteto que tem: o "Pistolas". Ganhou-o à força de golos. Muitos. Hoje fez o 18.º em somente 17 jogos. O "hat-trick" que fez chegou para derrotar um Nacional afoito.

Gregório Cunha/LUSA

Fim de tarde no estádio Mestalla, em Valência. Domingo, 1.º de dezembro de 2013. O clube Che não é mais o das finais da Champions (é verdade, perdeu-as todas, com o Bayern e o Real Madrid; mas disputou-as, o que não é para qualquer um) na viragem do século, não é mais o Valência de Rafa Benítez, campeão na La Liga sempre hegemónica de Barça e Real. A época de 2013/2014 foi das piores que há memória no Valência: 8.º lugar, com Djukic ao leme.

Jonas, nessa tarde de dezembro, fez um hat-trick. E fê-lo em somente nove minutos, entre os 44 e os 53′ – naturalmente, com o intervalo pelo meio.

No Brasil, sobretudo com a camisola do Grémio de Porto Alegre sobre os ombros, ganhou um epíteto: o de “Pistolas”. E ganhou-o à força de golos. Golos em barda: 72 disparos certeiros em 131 jogos que “calçou”. No verão de 2014, e ao fim de quatro épocas no Valência, disse-se dele que era, não um “Pistolas”, mas um viejo. Não foi experiente – afinal, só tinha 30 anos à época – que lhe chamaram; foi velho. Velhadas. Acabado. Com os pés para a cova — futebolisticamente falando, entenda-se.

Viajou de Valência para Lisboa, para o Benfica, desatou a marcar golos como sempre fez, e deixou certamente os adeptos do Valência (é que por muito que Rodrigo, Paco Alcácer ou Negredo sejam avançados de valia, não marcam em Espanha o que Jonas marcou – e continua a marcar em Portugal) arrependidos de tão desbocados que foram.

Hoje, na Choupana, sem o nevoeiro de domingo – ele mostrar, mostrou-se, mas o vento tratou de levá-lo de volta à serra – e à hora de almoço, Jonas fez um hat-trick. Não é que nunca o tenha feito com a camisola do Benfica – fez um contra o Covilhã, em 2014/2015. Mas a verdade é que desde esse Valência-Osasuna, em finais de 2013, que não precisava de tão pouco tempo para fazer três golos. Na Madeira demorou 40′ — e uns pozinhos. Mais importante: Jonas fez o seu 18.º em somente 17 jogos na presente edição da Liga. Mais importante ainda: caminha a passos largos (ou a golos marcados) para se tornar uma lenda na Luz. Porquê? É que só Torres (58), Julinho (54) ou José Águas (52) fizeram mais golos do que Jonas (38) nos primeiros 44 jogos realizados pelo Benfica.

O jogo da Madeira não foi só de Jonas. Mitroglou também marcou, Soares chegou a empatar para o Nacional, mas o que se viu sobretudo foi muita tremideira. De um e de outro lado. Mas se a do Nacional, talvez pelo horário madrugador, até é compreensível no começo, a do Benfica, e mesmo depois de estar a vencer, não se compreende. E não é de hoje que o Benfica desacelera quando se vê perfeitamente que, acelerando, “despacha” com o jogo em três tempos.

O Nacional cresceu, tanto no fim da 1.ª parte como no recomeço, Manuel Machado mexeu na tática, fê-la mais voltada ao ataque, mas a manta (e entenda-se “manta” por qualidade de quem joga) é curta e, ao tapar as orelhas na frente, destapou os pés atrás. Mas elogie-se a vontade de querer vencer de Machado. E elogie-se, claro, Jonas, que mesmo com a defesa do Benfica (sobretudo Jardel e Lisandro) a querer ser também “Pistolas”, mas de tiros nos pés, puxou a culatra atrás e fez golos de toda a forma e feitio: de cabeça, colocadíssimo ao ângulo; veloz, na antecipação ao primeiro poste; e de classe, com o interior da canhota, ao segundo.

Na área, e quando o jogo está complicado por culpa alheia, ele é mais do que um “Pistolas”: é um abre-latas. Repense-se, pois, o epíteto. Ou não. Afinal, “abre-latas” não tem tanta pinta como “Pistolas”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)