O Rio Douro, que durante a madrugada de hoje inundou as zonas ribeirinhas do Porto e de Vila Nova de Gaia, regressou ao início da manhã ao seu leito, deixando para trás muita lama e lixo para limpar.

De acordo com testemunhos ouvidos pela agência Lusa nos locais mais afetados, houve vários estabelecimentos comerciais inundados, embora, graças ao trabalho de prevenção realizado durante o dia de domingo, tenha sido possível evitar maiores prejuízos.

Ainda com cerca de “30 centímetros” da água dentro do seu espaço comercial, em Miragaia, que um colaborador tentava retirar, José Dantas admitiu que conseguiu salvar “todas as máquinas, a tempo e horas”.

“Há sempre prejuízo, porque a instalação elétrica foi afetada e demorará cerca de três dias a reparar, o que nos impede de abrir o café, mas, ainda assim, conseguimos salvar muita coisa”, afirmou, em declarações à Lusa.

Também em Miragaia, onde ainda existe água nalguns pontos mais baixos da via pública, Maria Eugénia relatou à Lusa que teve de sair do edifício onde mora “às cavalitas” de um homem, porque a água acumulada junto ao portão “era bastante”.

Contudo, salientou, “a água não entrou dentro das casas”.

Na Ribeira do Porto, Gastão Teixeira, mais conhecido como “Lobo do Mar”, disse que “as coisas não correram muito bem durante a noite, porque a água veio de acima, mas ainda assim não foi mau, porque se esperava que a água pudesse subir muito mais”.

A altura mais crítica foi cerca das 03:00: “a água galgava de qualquer maneira, mas depois foi acalmando. Vamos ver como corre durante a tarde, quando a maré subir”, disse.

“Temos de falar da mãe, a mãe é o mar, porque as barragens podem estar a largar muita água, mas se a mãe abrir a boca, a água sai. A mãe já abriu a boca, mas ainda não foi o suficiente para podermos ficar descansados”, acrescentou.

O “velho lobo do mar” como se assume, foi oleiro de profissão, mas há 21 anos comprou um barco, que mantém disponível para “ajudar sempre que é necessário”.

“Sou uma espécie de bombeiro à civil. Estive aqui toda a noite, o pessoal foi descansar, mas o ‘velho lobo do mar’ ainda aqui está”, afirmou.

No interior dos estabelecimentos comerciais, os proprietários e seus funcionários mantinham-se ocupados a limpar os espaços, sem grande disponibilidade para prestar declarações.

O Centro de Previsão e Prevenção de Cheias (CPPC) do rio Douro tinha alertado na tarde de sábado para a possibilidade de inundações nas ribeiras do Porto e de Vila Nova de Gaia, devido ao mau tempo em conjugação com a preia-mar.

O distrito do Porto é um dos 10 que estão com ‘Aviso Amarelo’ (o terceiro mais grave) emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a que se juntam os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Leiria, Coimbra, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro, os últimos quatro por causa da agitação marítima.

No domingo, o distrito do Porto foi um dos seis em ‘Aviso Laranja’, o segundo mais grave, assim como Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Aveiro e Viseu.

Os distritos do norte do país foram os mais afetados pelo mau tempo, com o registo de inundações, quedas de árvores, deslizamento de terras.