O maior partido da oposição na Grécia, o Nova Democracia, tem um novo líder. Kyriakos Mitsotakis venceu neste domingo Evangelos Meimarakis por uma margem surpreendentemente dilatada, numa votação à escala nacional. O antigo ministro da reforma administrativa na Grécia é um conservador moderado, defensor do mercado livre, e vem de uma das famílias de maior tradição na política grega, apesar de ter em muitas ocasiões criticado o poder no país ao longo das últimas décadas.

Segundo os resultados avançados pelo Kathimerini e pelo Financial Times, Mitsotakis terá conquistado entre 51% e 52% dos votos, o suficiente para tirar a liderança do Nova Democracia a Evangelos Meimarakis, o homem que sucedeu interinamente a Antonis Samaras no partido após a derrota eleitoral de há quase um ano – mas que não conseguiu derrotar Alexis Tsipras nas eleições de setembro último.

Mitsotakis já fez um discurso de vitória em que prometeu reorganizar a oposição a Tsipras e bater-se contra o governo “ineficaz e populista” da coligação liderada pelo Syriza. “Recebemos um mandato dos membros do nosso partido para ressuscitar o partido e colocar o passado para trás das costas”, afirmou o novo líder do Nova Democracia, em declarações citadas pelo Financial Times.

O novo líder do partido conservador tem 47 anos e o seu pai já foi primeiro-ministro. “A sua eleição deverá ser bem recebida por Bruxelas e Berlim, já que se trata de um homem inteligente e um reformista”, afirma Mujtaba Rahman, um economista do Eurasia Group, citado pelo FT. “Mas [Mitsotakis] apresenta uma menor probabilidade de vir a cooperar com Tsipras e com o Syriza, pelo que aumenta o risco de instabilidade política na Grécia e, assim, o risco de novas eleições antecipadas”, acrescenta o especialista.

A coligação liderada pelo Syriza, apoiada nos votos dos deputados do partido nacionalista ANEL (Gregos Independentes), tem uma maioria de apenas dois lugares no parlamento. Apesar da “purga” encetada por Alexis Tsipras na eleição de setembro, muitos analistas veem um risco de vulnerabilidade no governo, à medida que este avança com medidas de austeridade cada vez mais impopulares.