O CDS quer alargar o período de consulta pública ao projeto de requalificação da Segunda Circular apresentado pela Câmara Municipal de Lisboa. Isso mesmo consta de uma moção, a que o Observador teve acesso, que o vereador centrista vai levar esta quarta-feira a reunião autárquica. A câmara tinha fixado o dia 15 de janeiro como a data-limite para os lisboetas se pronunciarem sobre as obras naquela que é uma das mais movimentadas vias do país, mas o CDS considera que não houve tempo suficiente para fazer uma “discussão púbica alargada e efetiva”.

No texto, o vereador João Gonçalves Pereira refere que “esta empreitada tem um enorme impacto em Lisboa essencialmente no tráfego circular” e queixa-se de que, “como é já prática corrente”, o estudo de tráfego elaborado pela autarquia ter sido “entregue com atraso” aos membros da câmara. Ainda segundo o centrista, “estão por demonstrar os efeitos pretendidos com as obras de requalificação da Segunda Circular, nomeadamente o objetivo de maior sustentabilidade ambiental”.

O CDS denuncia que o período de consulta e discussão pública que a câmara está a promover “teve início em 23 de dezembro e, por consequência, decorreu durante o período das festas de Natal e de Ano Novo”, o que impossibilitou a análise do projeto “com o devido rigor e sem pressas”. João Gonçalves Pereira pede, assim, que o período de discussão se alargue por mais 30 dias.

Com esta posição, o partido vem somar-se a várias vozes críticas às intenções da autarquia. Além do presidente do ACP, que considerou, em declarações à Renascença, que o projeto era “louco”, também o ex-vereador da Mobilidade de António Costa, Nunes da Silva, disse em primeira mão ao Observador que achava que esta era “uma operação fundamentalmente cosmética”, sem efeitos práticos caso outras obras não se concluam primeiro. O ex-autarca foi particularmente crítico da opção de realizar intervenções na Segunda Circular e no eixo entre o Marquês e Entrecampos ao mesmo tempo.

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Na semana passada, em declarações ao Observador, também o líder do PSD Lisboa se mostrou “completamente contra” o projeto. Mauro Xavier fala mesmo de “ilegitimidade democrática” de Fernando Medina para realizar estas obras, uma vez que, disse, “o projeto não estava no programa do PS e Medina não foi eleito”. Para os sociais-democratas continua a fazer sentido o prolongamento do túnel do Marquês até ao Saldanha, uma obra que, defende o líder do PSD local, melhoraria a mobilidade dentro da cidade.

Quando anunciou as obras, em final de dezembro, Medina apresentou o projeto como sendo “de grande ambição” e, recentemente, o vereador do Urbanismo Manuel Salgado afirmou ao Diário de Notícias que as obras vão mesmo avançar ainda neste mandato, que termina em 2017. Até lá, o executivo socialista quer mudar muito a face de Lisboa.