A Reserva Federal dos Estados Unidos indicou ao mercado que deverá subir a taxa de juro quatro vezes até final de 2016, o que significaria que a taxa terminaria este ano em 1,5%. Mas vários indicadores de mercado mostram que os investidores não acreditam que a Fed terá condições para tantas subidas da taxa de juro – apostam num máximo de duas subidas. Na opinião de Larry Summers, conhecido economista que foi secretário do Tesouro e candidato à liderança da Fed, quem tem razão é o mercado. A economia mundial não aguenta um ciclo de subidas tão rápido, garante Summers.

“Ficaria surpreendido se a economia mundial aguentasse, confortavelmente, quatro subidas da taxa de juro – e acredito que os mercados concordam com esta opinião”, afirma Larry Summers numa entrevista ao canal de televisão da agência Bloomberg. Os comentários surgem na sequência de um artigo de opinião de Larry Summers no Financial Times.

“Sinceramente, aquilo em que os responsáveis devem pensar é numa forma de precaver cenários mais negativos”, acrescenta Larry Summers. O Observador debruçou-se sobre as implicações globais da subida da taxa de juro da Fed no texto Fed está prestes a “bater as asas” e subir os juros nos EUA. O mundo aguenta?.

A resposta de Summers a esta pergunta é que a economia global aguenta subidas da taxa de juro, mas não ao ritmo que está previsto pela Fed nesta altura (as tais quatro subidas). Para o economista, a Reserva Federal deve dar ouvidos à mensagem que está a ser enviada pelos mercados globais de ações e matérias-primas. E qual é essa mensagem? É que “os riscos para as economias globais estão a pender para o lado negativo, de forma clara“.

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A mesma mensagem foi transmitida recentemente por bancos de investimento como o Royal Bank of Scotland, que criticou a Fed por estar a subir as taxas de juro “na aproximação de uma tempestade global”. Na opinião do RBS, isso está a agravar o pessimismo dos investidores que está a ser evidente nestas primeiras semanas de 2016, sobretudo nas bolsas das economias emergentes.

Mas os perigos não se limitam aos mercados emergentes mas o próprio Banco Central Europeu (BCE) reconheceu, num relatório de novembro, que a zona euro também será afetada se os EUA subirem os juros demasiado rapidamente.