O empresário David Neeleman defendeu esta quinta-feira que “a gestão é o mais importante” na TAP, desvalorizando a questão da titularidade da maioria do capital na companhia aérea, que deverá voltar para as mãos do Estado.

“A gestão é o mais importante. Se podes tomar decisões é a coisa mais importante. Já disseram [os membros do Governo com quem se tem vindo a reunir] que estão felizes com o que trouxemos à TAP”, declarou o empresário que detém 61% do capital do grupo TAP.

O consórcio Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, reuniu-se na quarta-feira, pela terceira vez, com o Governo liderado por António Costa, que quer ser acionista maioritário da companhia, recuperando 51%, como prevê o programa do governo e os acordos feitos com os partidos à esquerda.

Estas declarações de Neeleman deixam a porta aberta um entendimento possível com o governo, desde que fique salvaguardado controlo da gestão por parte dos investidores privados. Neste modelo, o Estado teria a maioria do capital, e poder para intervir em decisões mais estratégicas, mas a gestão seria privada.

A afirmação surge no mesmo dia em que saiu para as bancas uma entrevista do empresário americano à revista Visão em que este assume que jamais compraria apenas 49% do capital da TAP.

Também o discurso de Humberto Pedrosa, parceiro de Neeleman, tem dado sinais de maior abertura ao processo negocial em curso com o ministro do Planeamento, Pedro Marques. Depois de ressalvar que em negociações tudo pode acontecer, o empresário português manifestou a confiança de que será alcançado um bom acordo, apontado agora o final de fevereiro como o período de referência para esse desfecho.

Os dois acionistas do consórcio Gateway falavam à margem da apresentação do novo plano da TAP para a Portugália que aposta na renovação da frota (com a marca TAP Express) e no reforço das ligações entre Lisboa e Porto.