Alex Tew tinha 21 anos quando lançou o site que marcaria um dos momentos da história da internet. Com uma premissa simples: vender espaço de publicidade ao píxel, por um dólar. Tinha um milhão de píxeis disponível.

Com o The Million Dollar Homepage, Alex arrecadou mais de um milhão de dólares que lhe permitiram suportar os custos do curso de gestão na Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Corria o ano de 2005. Dez anos depois, sete milhões de píxeis juntam-se ao primeiro. Não para pagar estudos, mas para ajudar algumas das principais causas humanitárias do mundo. Em português.

O 8M Pixels é uma iniciativa de quatro portugueses: Henrique Aparício, Hugo Alves, Jonathan Tavares e Sara Ribas. Surgiu durante um hackathon (evento que junta programadores, designers e outros profissionais ligados ao desenvolvimento de software) da Kwamecorp, em Lisboa, e em menos de um mês ficou online. Com um objetivo claro: beneficiar cinco organizações não-governamentais (ONG) que ajudem a resolver algumas das principais causas humanitárias do mundo. A escolha das ONG partiu de uma preocupação, explicou Hugo Alves ao Observador. “Onde é que um euro causa mais impacto? Onde é que um euro faz maior diferença?”

A ideia é que os mais de oito milhões de píxeis possam ser vendidos às marcas em quatro fases: os primeiros dois milhões custam um cêntimo por píxel, ou seja, o logótipo de uma marca que ocupe 100 píxeis, paga um euro. Os outros dois milhões pagam 10 cêntimos por píxel, os outros pagam um euro e o último grupo paga 10 euros. Mas, na verdade, ninguém paga nada ao projeto, porque o dinheiro nunca chega aos organizadores. É entregue diretamente às organizações, segundo Hugo Alves.

“Nós nunca tocamos em dinheiro nenhum. As pessoas compram os píxeis, enviando-nos o recibo da doação. Só depois é que colocamos o logo na página”, explica Hugo Alves. Ou seja: Primeiro doa, recebe o comprovativo, envia para o email da 8M Pixel e só depois vê o logótipo da empresa no site. “Queríamos que isto servisse para ajudar causas importantes”, disse Hugo.

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As instituições foram escolhidas tendo em conta o ranking da GiveWell’s, que avalia a eficácia das ações de várias ONG. Foi assim que chegaram à Against Malaria Foundation, à Schistosomiasis Control Initiative, à Deworm the World Initiative e à GiveDirectly. Juntaram os Médicos Sem Fronteiras, porque quiseram apoiar uma causa que ajudasse a lidar com a crise dos refugiados.

“Estou bastante confiante que vamos conseguir vender os oito milhões de píxeis. Estou com fé que isto se torne viral. Começámos pelo mercado português e daqui a uma semana queremos apostar em marcas com alcance global, no mercado internacional”, afirmou Hugo. Um píxel para ajudar a salvar o mundo.