Um político alemão do sul da Baviera encheu um autocarro com refugiados sírios e levou-os numa viagem de sete horas (550 quilómetros) até ao gabinete de Angela Merkel, em Berlim, para protestar contra a abordagem da chanceler, conta a Reuters. Peter Dreier, autarca da cidade de Landshut, diz-se preocupado com as condições de tratamento aos refugiados.

“Penso que temos de assegurar um tratamento humano a estes refugiados”, disse Dreier, à chegada ao destino, onde estava a decorrer uma manifestação de dezenas de protestantes contra as políticas de imigração de Merkel. “A esta escala e neste curto espaço de tempo, nós simplesmente já não conseguimos garantir isso [o tratamento humano]”, defendeu Dreier.

Os relatos das agências de notícias sugerem que Berlim já sabia daquela viagem, pelo que terão negociado depois onde pernoitariam aquelas 31 pessoas. Seriam sugeridos acampamentos, o que deixou Dreier desgostoso, levando-o a pagar do seu próprio bolso uma noite num hotel aos sírios, que estiveram mais de uma hora sem sair do autocarro, visivelmente nervosos e ansiosos com tal aparato.

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“Estou um bocado desiludido desde que estou em contato com o gabinete da chanceler e não esperava que os refugiados ficassem em acampamentos aqui em Berlim”, declarou. O governo respondeu, por Steffen Seibert, o porta-voz, dizendo que a estadia dos refugiados que entraram no país nos últimos meses são da responsabilidade dos municípios.

“O governo está ciente que o número de refugiados está a causar desafios significativos por toda a Alemanha e especialmente na Baviera”, explicou Seibert, informando que as comunidades locais têm recebido apoio financeiro durante o processo.

Dreier referiu ainda que o seu distrito comporta 66 instalações para refugiados, que continuam a chegar às dezenas semanalmente (70 a cada sete dias), informa a AFP. Angela erkel tem estado sob pressão para controlar as fronteiras da Alemanha, um país que tem liderado a campanha e os números de aceitação de refugiados. Durante 2015 chegaram ao país qualquer coisa como 1.1 milhões de pessoas.