Este domingo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos anunciou que 400 pessoas tinham sido raptadas pelo autoproclamado Estado Islâmico. Para além disto, a agência de notícias da Síria, SANA, deu conta que o mesmo grupo jihadista tinha executado 300 pessoas, informação que não foi confirmada pelas autoridades. No entanto tudo isto aconteceu na mesma cidade – Deir al-Zor.

Esta cidade, localizada na parte oriental da Síria e que é a sétima maior do país, tem estado sob cerco do ‘Daesh’ sofrendo várias investidas por parte dos jihadistas para controlar e derrotar as forças leais ao governo de Bashar al-Assad. Em concreto, o Estado Islâmico encerrou o acesso à cidade em março, o que levou à deterioração das condições de vida da população, que agora podem estar a atingir níveis dramáticos.

Comida, medicamentos, água e outros produtos básicos são agora bens escassos devido à proibição da entrada destes bens essenciais na cidade. Segundo conta o Daily Mail, dos 450 mil habitantes afetados pelo cerco, 70% são mulheres e crianças.

Por tudo isto, a organização Médicos Sem Fronteiras revelou que, desde o mês de dezembro, já morreram 35 pessoas à fome. Estes números surgem pouco tempo depois de o primeiro contingente das Nações Unidas e da Cruz Vermelha chegaram à cidade de Madaya, também cercada pelo Estado Islâmico e onde a fome já matou pelo menos 40 pessoas desde o mesmo mês.

Em Deir al-Zor, como relata o Daily Mail, no único hospital em funcionamento a falta de medicamentos, suprimentos e de pessoal também não têm contribuído para o melhoramento da situação, que já tem contornos de crise humanitária.

O relatório dos Médicos Sem Fronteiras especifica que “foram relatados pelo pessoal médico severos casos de subnutrição, particularmente entre crianças, existindo com testemunhos, não confirmados, de 15 a 20 mortes por fome em 2015”.

O mesmo jornal publicou agora um vídeo de uma criança que representa bem a situação que se vive na cidade síria. Nos primeiros segundos das filmagens surge uma criança claramente em condições de subnutrição (imagens com conteúdo sensível):

https://www.youtube.com/watch?v=FCd9G919GQg