O comércio online em Portugal cresceu 30,2% em 2015, segundo os dados divulgados na sexta-feira pela Kantar. A frequência de compra dos utilizadores cresceu 23% e o valor da compra média por lar aumentou 9,5%. Pedro Pimentel, diretor da associação portuguesa de empresas de produto de marca, a Centromarca, não tem dúvidas: “quem se atrasar a entrar neste novo mundo, vai estar sempre atrasado”.

Esta quarta-feira, a Centromarca e o Centro de Estudos Aplicados da Católica Lisbon School of Business & Economics vão debater o papel do e-commerce nos bens de grande consumo, à boleia do últimos dados disponibilizados pela Kantar, na conferência “Do convencional ao Digital: E-commerce no universo FMCG mostra-se cruel para os retardatários”. Para Pedro Pimentel, o objetivo é claro: “dar um sentido de urgência a um tema que nalgumas empresas ainda é encarado como algo que é importante, mas não para hoje”, diz ao Observador.

pedro pimentel, centromarca

Pedro Pimentel acredita que a entrada da Amazon nos produtos frescos veio estimular o comércio online na Europa

Afirmando que o comércio online nos bens de grande consumo está “a explodir de uma forma inimaginável há alguns meses”, o diretor geral da Centromarca explica que, para o fenómeno, muito tem contribuído o facto de a Amazon se ter estreado no mercado dos frescos, com o Amazon Fresh.

“Nos últimos anos, temos tido um desenvolvimento do comércio eletrónico em todas as áreas de atividade e até há relativamente pouco tempo, os números mostravam que a área de grande consumo era impermeável a este cresimento. A maior parte das cadeias tinha uma presença no online muito pontual. Na Europa, no último ano, houve um efeito revolucionário: a entrada da Amazon no mercado alimentar”, diz Pedro Pimentel.

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E de repente aquilo que era “encarado como algo que ia acontecer a uma velocidade lenta, passou a emergente”, explica o diretor da Centromarca. Segundo os dados divulgados pela Kantar, apenas um quarto dos consumidores fazem compras em grandes cadeias de supermercado. E fá-lo de uma perspetiva pontual. “A taxa de penetração é muito baixa e ainda há todo um mercado por crescer, com o mercado offline praticamente estabilizado”, disse.

Pedo Pimentel explica que quando o consumidor utiliza a internet para fazer as suas compras, acaba por comprar três a quatro vezes mais por unidade de compra do que quando o faz pelo supermercado tradicional. “Para quem vende, é muito mais interessante vender online e a fidelidade do consumidor ao online é duas vezes maior relativamente ao supermercado onde costuma fazer as suas compras”, diz.

Na loja online do Continente, por exemplo, o número de utilizadores cresceu 30% no último ano. E as visitas cresceram 42%. Estão disponíveis no site mais de 30 mil referências alimentares e não alimentares. Nuno Almeida, responsável pela área de comércio online da Sonae explica ao Observador que o Continente Online foi lançado há 14 anos e conta com mais de 40 milhões de visitas anuais e mais de 350 milhões de pageviews.

“O digital tem uma importância crescente nas vidas dos consumidores portugueses, e essa aproximação é cada vez mais real”, diz Nuno Almeida, acrescentando que do lado da procura, o mercado é “cada vez mais significativo, de forma alinhada com a crescente confiança e necessidade de conveniência dos consumidores”, e com a própria resposta à riqueza da oferta.

Parfois quer faturar 40 milhões online em 2020

A marca portuguesa de acessórios de moda, Parfois, lançou a loja online no final de 2011, mas foi em 2014 que passou a ter uma prioridade diferente na empresa. No ano passado, passou a ser a melhor loja da insígnia, a faturar dois milhões de euros e com um crescimento de 112% face a 2014. “Ainda assim tem uma margem de crescimento enorme, porque representa apenas 1% da nossa faturação”, explicou ao Observador Susana Coerver, diretora de Marketing da Parfois.

A responsável explica que “os consumidores estão todos praticamente online” e que por isso, a presença da marca na rede deve ser um catálogo de tendências, novidades, de propósitos de marca. “O online deve ser a nossa melhor montra”, diz Susana Coerver. Para 2020, o objetivo da marca é o de faturar 40 milhões de euros online.

Para Susana Coerver, os obstáculos ainda se prendem com os custos e timings de envio. “O consumidor quer agora, e por isso entregar rápido é importante. E os custos de envio são, sem dúvida, uma barreira à compra, principalmente com um produto de custo baixo como o nosso”, diz a responsável, acrescentando que têm de ser ágeis, rápidos, flexíveis, mas “também cautelosos com a euforia das novidades”.

Pedro Pimentel explica que as preocupações dos consumidores têm a ver com dois fenómenos: o da veracidade da informação que está disponível e a segurança na transição. “Muitas pessoas não fazem compras online, porque não se sentem segurança em colocar o seu cartão numa empresa. Mas com os novos mecanismos de pagamento isso está a ser ultrapassado”, explica.

Quanto à veracidade da informação, o diretor da Centromarca diz que as pessoas ainda desconfiam se estão a comprar um produto verdadeiro e se este corresponde mesmo ao que está a ser anunciado.