Portugal colocou hoje 1.800 milhões de euros, acima do inicialmente previsto, em Bilhetes de Tesouro a seis e a 12 meses a taxas de juro negativas, mas mais altas do que as verificadas nos leilões comparáveis anteriores, foi anunciado.

Segundo a página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na agência Bloomberg, dos 1.800 milhões de euros colocados, 550 milhões de euros foram colocados em Bilhetes de Tesouro (BT) a seis meses a uma taxa de juro média de -0,013%, acima da de -0,018% verificada no anterior leilão para este prazo, em 18 de novembro do ano passado. A procura atingiu 1.290 milhões de euros, 2,35 vezes o montante colocado.

Os outros 1.250 milhões de euros foram colocados em BT a 12 meses a uma taxa de juro média de -0,001%, também superior à de -0,006% verificada no anterior leilão neste prazo, também de 18 de novembro. Neste prazo, a procura ascendeu a 2.043 milhões de euros, 1,63 vezes superior ao montante colocado.

O IGCP tinha anunciado que pretendia arrecadar nos dois leilões de hoje até 1.500 milhões de euros.

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Durante o primeiro trimestre do ano, a agência liderada por Cristina Casalinho prevê emitir entre 3.000 milhões e 3.750 milhões de euros em Bilhetes de Tesouro, através de seis leilões de dívida de curto prazo, entre os seis e os 12 meses.

No último leilão de Bilhetes de Tesouro a um ano, que ocorreu a 18 de novembro de 2015, o IGCP emitiu 1.100 milhões de euros a uma taxa negativa de 0,006%, inferior à de 0,051% praticada no anterior leilão comparável de 16 de setembro

Segundo Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, a subida das taxas nestes dois leilões foi “muito marginal” e a procura “esteve dentro dos valores médios”.

“O que podemos concluir é que, apesar de um início de ano muito negativo, quer para os mercados de ações, quer para os mercados de obrigações de empresas (‘corporate’), o mercado de dívida soberana continua protegido pelo Banco Central Europeu e pelo plano de compra de ativos”, referiu Filipe Silva.

No entanto, Filipe Silva afirma que estas taxas colocam “um dilema aos investidores: onde investir quando as ações descem, a dívida de boas empresas contínua cara e a dívida soberana tem taxas negativas?”.