O ex-ministro socialista Jaime Gama considera “decadente” toda a oposição que existe aos rankings, às notas e à “valorização individual da diferença”, criticando ainda a “cultura da uniformização” e o “fenómeno do igualitarismo”.

“Toda a oposição a uma cultura de transparência nos resultados de conhecimento, o ódio aos rankings, o ódios às notas, a ideia de que a escola só serve para incluir os que não podem sequer ter êxito nela e depois a uniformização por baixo de todo o sistema” é, na opinião do ex-presidente da Assembleia da República, “uma perspetiva muito decadente e muito retrógrada”.

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Mais à frente na conversa, no programa Conversas à Quinta desta semana, Jaime Gama reforçou que, em Portugal, a nota é “considerada como algo que não deve ser comunicado aos alunos porque os pode traumatizar ou aos pais porque os pode perturbar. O bom aluno não pode ser distinguido publicamente porque isso é paralisador da unidade medíocre do complexo escolar”.

Vive-se, segundo Jaime Gama, “numa cultura que, no fundo, quase apenas acaba valorizando a presença na escola e a passagem administrativa”.

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O socialista critica ainda o facto de as escolas públicas em Portugal não poderem escolher os melhores. “Veja qual é a anomalia de um sistema de escolas públicas em que nem sequer há escolas onde possam aceder, por concurso e mérito, os melhores professores e os melhores alunos. Não há diferenciação.”

Nas últimas semanas, fruto da decisão do Ministério da Educação de substituir as provas finais de 4.º e 6.º anos por provas de aferição, sem peso para a nota, nos 2.º, 5.º e 8.º anos, esta temática da “cultura da nota” tem vindo a levantar muita discussão. O ministro Tiago Brandão Rodrigues justificou a decisão de acabar com as provas, afirmando que era preciso “intervir urgentemente na reparação de danos” causados por uma política de “cultura da nota”, assente no “treino” para os exames que, no seu entender, era “nocivo”.