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Pinto da Costa recandidata-se à presidência do FC Porto. E diz que Peseiro ficará mesmo que não seja campeão

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O atual presidente dos dragões anunciou esta quinta-feira que vai recandidatar-se à presidência do clube. E diz que José Peseiro ficará para a próxima época, mesmo que não seja campeão.

Pinto da Costa diz que Peseiro ficará "no mínimo um ano e meio" e acrescenta que Cristian Tello pode sair para a Fiorentina

ESTELA SILVA/EPA

Pinto da Costa anunciou esta quinta-feira, em entrevista ao Porto Canal, que vai recandidatar-se à presidência do FC Porto. O atual presidente dos dragões afirmou ter completado “uma série de exames” e explicou: “[os médicos] felizmente deram-me a garantia de que posso nesse aspeto estar tranquilo”.

A partir daí, comuniquei ao senhor Fernando Cerqueira e à comissão [de candidatura] que o acompanha que, sim senhor, pode contar com a minha colaboração e que estou disponível para me candidatar a novo mandato“.

O mandato atual do presidente dos dragões (o 13º que cumpre na liderança do FC Porto) termina ainda este ano, em 2016.

As farpas a Vítor Baía

Questionado sobre a possibilidade de Vítor Baía — que já afirmou sentir-se preparadíssimo para ser presidente do FC Porto — se candidatar, Pinto da Costa afirmou que não queria falar em nomes: disse apenas que “todos os sócios que estiverem em condições de poderem ser candidatos se o pretenderem eu respeito-os”. Mas deixou uma indireta que poderá ser aplicada a Vítor Baía, que é comentador desportivo na CMTV:

Pessoalmente, não gostava de ter no FC Porto um candidato apoiado pelo Correio da Manhã.”

Sobre a publicação que a sua mulher partilhou nas redes sociais, onde desclassificou Vítor Baía (acusando-o inclusivamente de não ter sabido gerir o seu próprio dinheiro), Jorge Nuno Pinto da Costa afirmou que foi “apanhado de surpresa” pelas declarações de Fernanda Pinto da Costa e defendeu esta não o veio defender a si mas aos seus colaboradores: “Por amizade que tem a muita gente que colabora comigo no FC Porto, tanto a nível de dirigentes como de funcionários, achou que reagia em defesa de pessoas que, anonimamente, porque não concretizaram os nomes, [foram] acusadas de falta de seriedade. Não gostou daquela frase em que [Vítor Baía] disse que correria toda a estrutura do FC Porto para voltar a haver seriedade.”

Jorge Mendes, Julen Lopetegui e o “Ferrari” Imbula

O presidente dos dragões explicou ainda a decisão de demitir Julen Lopetegui a meio da temporada: “Senti que já não havia condições para lutarmos pelos nossos objetivos, senti que já não havia comunhão de ideias entre todos os setores — entre técnico, jogadores e o próprio público”. E criticou o futebol praticado pelos dragões sob o comando do treinador espanhol: “Não é aquele o futebol que empolga, que faz a união entre a equipa e o público”, sublinhou Pinto da Costa.

Sobre as qualidades do treinador espanhol, Pinto da Costa afirmou que Lopetegui, apesar de na opinião do presidente do FC Porto ter “qualidades”, “não foi uma aposta ganha porque não ganhou nada”. E acrescentou que isso se deveu ao facto de não se ter adaptado ao futebol português:

Não se integrou no futebol português. Daí o facto de ter trazido muitos jogadores de fora que não conheciam o futebol português, embora muitos tivessem grande valor, como estão a demonstrar. E depois não quis compreender que as coisas não eram exatamente como tinha pensado e quis insistir num processo que não foi assimilado pela equipa e que não levou ao sucesso.”

A escolha dos reforços de Julen Lopetegui foi criticada pelo presidente dos dragões na entrevista, e Pinto da Costa teve dois alvos: Gianelli Imbula e Adrián López. Sobre o médio francês, Pinto da Costa afirmou que foi contratado por vontade do técnico: “O Imbula veio por vontade dele, que nos disse a nós que era um Ferrari. E eu perguntava: afinal o Ferrari é para estar na garagem?“. Quanto a Adrián López, o presidente dos dragões contou o processo de contratação e afirmou que o empresário Jorge Mendes não cumpriu a promessa que assumiu:

Uma das insistências dele foi com o Adrián López. Era um preço exorbitante, custavam 60%, 11 milhões. Eu disse-lhes que não, nem pensar, não há hipótese. Entretanto, o empresário [Jorge Mendes] apresentou uma solução: nós aceitamos letras dos 11 milhões, todas para um ano depois, e ele disse-nos que não tivéssemos problemas. Se não quiséssemos pagá-lo, ele, pelo mesmo preço, colocava o jogador. Não tínhamos risco. Só que o tempo foi passando, o empresário não o colocou e, quando vierem as letras, nós é que as tivemos de pagar”.

A saída do treinador foi decidida após uma conversa entre Pinto da Costa e Lopetegui no balneário portista, revelou o presidente do clube: “Quando terminou o jogo com o Rio-Ave, sem eu ter aberto a boca, quando entrei no balneário ele disse-me: ‘Presidente, comigo não há problema, resolvemos o assunto em dois segundos’. Interpretei isto como verificar, de facto, que não era possível [continuar] a partir desse momento. Para mim foi o momento exato em que me convenci que não havia alternativa. Nesse dia mesmo tomei a decisão e no dia seguinte foi comunicado”.

Pinto da Costa alongou-se ao contar o momento em que decidiu demitir o técnico espanhol. “Tivemos no dia seguinte uma conversa em que se consumou [a saída]. Quando o senhor Antero Henrique lhe perguntou sobre problemas [na rescisão], ele disse: ‘Isso resolvem com o meu advogado, não há problema’. O que é certo é que o nosso advogado entrou em contacto com o empresário dele, que ficou de vir ao Porto. Passados estes dias não temos condições para chegar a um acordo, nem [temos] nenhum contacto, nem sequer conseguimos falar com ele”.

José Peseiro: no mínimo até 2017

O presidente do FC Porto comentou ainda a escolha de José Peseiro para suceder a Julen Lopetegui. Uma escolha que Pinto da Costa diz ter sido a sua primeira opção, mas que só foi confirmada depois ter reunido a administração da SAD. “[Os restantes responsáveis da SAD] concordaram, todos colaboraram, em hora e meia fechou-se o contrato“.

O presidente dos dragões chamou ainda atenção para uma declaração de José Peseiro, proferida na sua apresentação, para contestar a falta de currículo do treinador: “Todos os treinadores portugueses que vieram para o FC Porto nunca tinham ganhado nada em sítio nenhum e venceram aqui. Alguns venceram depois noutros sítios. Foi o caso do Artur Jorge, do António Oliveira, do Jesualdo Ferreira, do Vítor Pereira, até do Mourinho, do Villas Boas. Nunca tinham ganho em sítio nenhum”, lembrou.

Na escolha pesou as informações que o presidente dos dragões recolheu sobre o trabalho do treinador, explicou Pinto da Costa: “Toda a gente com quem eu falo e que contactou com ele me diziam que a sua qualidade de treino era fantástica, que as suas equipas jogavam um tipo de futebol que os nossos adeptos gostam, e eu também gosto, o futebol ofensivo, para o golo. Não é o futebol maluco mas o futebol ofensivo”.

O objetivo é ser campeão: mas, diz Pinto da Costa, José Peseiro não estará dependente do título:

O treinador diz-me que é possível [ser campeão], que confia, se não não tinha vindo. Agora é óbvio que não dependemos só de nós. Mas o campeonato é longo e estes dois últimos jogos mostraram que não há equipas invencíveis. É um treinador no mínimo para um ano e meio mesmo que não seja campeão. Mas eu espero que seja para muitos mais.

Quanto a entradas e saídas no plantel portista, Pinto da Costa revelou que Igor Lichnovsky deverá sair para o Sporting Gijón, e que Cristian Tello “poderá eventualmente sair para a Fiorentina“. Já possíveis contratações, estas dependerão da avaliação do treinador, afirmou.

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