A ONU admitiu que as negociações de paz entre o regime sírio e uma parte da oposição síria, que deviam começar na segunda-feira em Genebra, serão provavelmente adiadas por alguns dias.

“É provável que o encontro do dia 25 seja adiado por alguns dias por razões práticas”, afirmou Jessy Chahine, porta-voz do enviado especial da ONU para a Síria, o veterano diplomata italo-sueco Staffan de Mistura.

Numa mensagem de correio eletrónico enviada à agência francesa AFP, a porta-voz acrescentou: “Ainda estamos a tentar esta data e vamos avaliar, em qualquer caso, os progressos alcançados durante o fim de semana”.

Esta declaração da porta-voz de Staffan de Mistura não coincide com um comentário feito horas antes pelo chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em Davos, Suíça, o secretário de Estado norte-americano afirmou hoje estar confiante de que as negociações de paz vão começar na segunda-feira.

“Os convites [para o encontro] poderão demorar um ou dois dias, mas isso não significa um atraso fundamental. O processo irá começar no dia 25, [as partes] vão reunir-se e vamos ver em que ponto é que estamos”, disse Kerry, à margem de reuniões do Fórum Económico Mundial de Davos, que decorre até sábado naquela estância suíça.

Na quarta-feira, o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, também declarou ter “a certeza” de que as negociações entre as partes sírias “iriam começar nos próximos dias, em janeiro”,

As duas potências não constam da lista de participantes da reunião de Genebra, organizada sob os auspícios das Nações Unidas.

O encontro vai contar com representantes do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e de grupos de opositores sírios.

A principal coligação da oposição síria nomeou na quarta-feira Mohamed Allouche, membro do órgão político do grupo armado Jaish al-Islam (grupo apoiado pela Arábia Saudita), como negociador principal para as conversações com o governo sírio.

A nomeação de Mohamed Allouche foi imediatamente criticada pela oposição síria no exílio, enquanto a Rússia, um aliado tradicional do regime de Damasco, qualificou este grupo como “terrorista”.

Estas negociações fazem parte de um roteiro para a paz adotado, por unanimidade, em dezembro do ano passado pelos 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas para encontrar uma solução política para o conflito que afeta a Síria desde março de 2011 e que já fez mais de 260.000 mortos e milhões de deslocados.

O roteiro foi elaborado em Viena em novembro por 17 países, incluindo as grandes potências e os vários protagonistas regionais do conflito, como a Arábia Saudita e o Irão.

A proposta inclui um cessar-fogo, a formação de um governo de transição e a organização de eleições num prazo de 18 meses.