Os primeiros-ministros húngaro e esloveno apelaram para o isolamento da Grécia e dos milhares de migrantes que afluem ao país com a construção de uma “barreira de defesa”.

“Não é suficiente lamentar que a Grécia não protege as suas fronteiras, devemos comportarmo-nos como homens e dizer que aguardamos a construção de uma barreira nas fronteiras da Grécia com a Macedónia e a Bulgária para travar a vaga de migrantes”, declarou o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo esloveno Miro Cerar no castelo de Brdo, na Eslovénia.

“Apelamos para uma colaboração na construção de uma segunda linha de defesa na fronteira grega”, acrescentou Orban, ao considerar que a primeira linha, a fronteira marítima sul da Grécia com a Turquia, permite a passagem de demasiados migrantes.

O primeiro-ministro centrista Miro Cerar considerou que caso os países europeus “se mostrem incapazes de encontrar e concretizar uma solução eficaz na Grécia [na fronteira sul] como foi previsto, temos necessidade de agir imediatamente onde possa ser mais eficaz [nas fronteiras norte do país]”.

Os refugiados que acostam diariamente nas ilhas gregas dirigem-se de seguida para a fronteira entre a Grécia e a Macedónia (Antiga República Jugoslava da Macedónia, FYROM), onde iniciam o seu périplo em direção ao norte da Europa, com uma minoria a optar pela Bulgária.

A Grécia e a Macedónia, país não-membro da União Europeia (UE), partilham 250 quilómetros de fronteira, com duas zonas “protegidas” desde o final de 2015 para canalizar a passagem dos migrantes.

A Macedónia instaurou uma primeira “zona de filtragem” no final de novembro apenas permitindo, segundo a versão oficial, a passagem dos refugiados provenientes de países em guerra, sírios, afegãos e iraquianos. Uma segunda filtragem foi aplicada esta semana para apenas autorizar a passagem dos migrantes que declaram ter como destino a Alemanha e a Áustria.

No entanto, numerosos migrantes continuam a recorrer a traficantes locais para atravessar a Macedónia por percursos menos controlados.

Orban decidiu vedar totalmente a fronteira do seu país com a Sérvia e a Croácia, interrompendo de facto a entrada de migrantes e refugiados. Budapeste acusa regularmente o Governo grego de não controlar a sua fronteira sul, o mar Egeu, onde Atenas considera ilegal e perigoso reenviar as embarcações com refugiados em direção à Turquia.