Marcelo Rebelo de Sousa está com esperança. Maria de Belém Roseira foge. Quando o assunto é o Orçamento do Estado para 2016 e a negociação com Bruxelas, as reações dos candidatos são diversas, mas sem beslicar, contudo, o atual Governo.

Deve ser “um Orçamento de equilíbrio de medidas sociais, tornadas urgente e imperiosas e a preocupação de não derrapagem financeira”, avisou Marcelo, quinta-feira à noite, num comício no Porto, já depois de ser conhecido que o rascunho de Orçamento que o Governo vai entregar emn Bruxelas aponta para um défice de 2,6% em 2016.

Antes disso, durante a campanha, o candidato presidencial tinha mostrado o seu otimismo. “O equilíbrio que o Governo está a tentar fazer é, por um lado, cumprir os compromissos eleitorais e os compromissos dos acordos com os três partidos no Parlamento e, por outro lado, não se afastar da meta inferior a 3% e não se afastar das regras do euro. É esse equilíbrio, talentoso, que eu espero que seja atingido. Era bom para o país”, afirmou Marcelo aos jornalistas, ainda antes de ser conhecido que o Governo tenciona baixar para 2,6% o défice em 2016. “O Governo está preocupado com essas metas, como diz o primeiro-ministro e eu tenho ouvido dizer da parte dos partidos que o apoiam parlamentarmente que não querem provocar crises”, sublinhou o candidato presidencial.

Sampaio da Nóvoa também está confiante de que o Governo vai “chegar a bons resultados nestas negociações” sobre o Orçamento do Estado deste ano com a União Europeia.

O candidato, que repetidas vezes tem salientado a importância de “ter uma voz mais crítica na Europa”, exortou António Costa a ser essa voz. “Não pode aceitar, em nenhuma circunstância, que Portugal, em matérias idênticas ou análogas, seja tratado de forma diferente” dos outros países, afirmou Nóvoa em Guimarães, na quarta-feira. “Apoiarei sempre que essa voz seja presente, seja determinada. Se António Costa tem essa voz hoje e essa determinação hoje, só posso aplaudir”, concluiu o candidato no fim de uma visita à fábrica da Fly London.

Já Maria de Belém Roseira, tem fugido do assunto. Sobre as negociações entre o Governo português e Bruxelas (que tem que aprovar o rascunho do Orçamento devido às novas regras europeias), tem afirmado apenas que “é uma negociação que está a decorrer” e que é “inadequado estar a opinar sobre isso”. “É uma matéria de grande sensibilidade e de grande responsabilidade do Governo e portanto devemos deixar o Governo negociar”, declarou aos jornalistas.

Maria de Belém tem dito várias vezes que Portugal deve ter uma voz ativa na Europa e que os compromissos assumidos com os portugueses não devem estar em causa. Desta vez, limitou-se a defender: “Acho que Portugal na Europa deve ter uma voz que faz apelo aos princípios e valores dos tratados uma vez que o projeto europeu é um projeto de solidariedade, um projeto de desenvolvimento partilhado, um projeto de coesão, um projeto de diversidade e um projeto de igualdade”.