Fontes oficiais dos serviços de segurança do Paquistão apontaram o dedo ao Afeganistão por albergar militantes talibãs que terão orquestrado o atentado desta semana numa universidade.

Na quarta-feira passada um ataque a uma universidade no nordeste do Paquistão vitimou pelo menos 21 pessoas, tendo sido os quatro atacantes abatidos pelas autoridades. O ataque foi mais tarde reivindicado por Omar Mansoon que é comandante do grupo TTP, ou Tehrik-i-Taliban Pakistan (Movimento Talibã do Paquistão), ligado aos talibãs paquistaneses. A alimentar a tese de que tudo foi preparado no Afeganistão está o facto de o ataque ter ocorrido junto à fronteira com o país, zona de grande instabilidade que tem sido um alvo preferencial deste tipo de grupos terroristas.

As mesmas fontes afirmaram ao Wall Street Journal que os atacantes foram apoiados pela inteligência afegã e indiana, versão que tem sido defendida por vários especialistas na comunicação social paquistanesa. Estas alegações foram já desmentidas por ambos os lados, com o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano a considerá-las “infundadas”.

Mesmo assim, o porta-voz militar do Paquistão, Asim Bajwa, garante que o ataque foi controlado a partir de um local em território afegão, através de um telemóvel também afegão, e por um militante talibã paquistanês.

Kabul desmentiu desta forma estas acusações: “O Governo afegão rejeita as alegações feitas do outro lado da fronteira. Os terroristas a operar no Paquistão são do Paquistão”, afirmou o porta-voz do primeiro-ministro do Afeganistão, Abdullah Abdullah.

Nos últimos tempos foram vários os atentados orquestrados na Índia, Paquistão e Afeganistão com estes países a acusarem-se mutuamente em quase todas as ocasiões. Esta troca de acusações tem dificultado os esforços da comunidade internacional em encontrar uma solução estável e pacífica para as tensões naquela região.