“Se o PSOE quiser, pode haver um governo de mudança” para Espanha, disse Pablo Iglesias, líder do partido de esquerda radical Podemos, depois de um encontro do o Rei. A esta dupla governativa poderá juntar-se o partido da Esquerda Unida e outros apoios que permitam formar uma maioria parlamentar. Pablo Iglesias, que receberia o cargo de vice-presidente do governo, terá, assim, deixado cair linhas vermelhas como o referendo catalão.

As declarações de Pablo Iglesias estão a ser citadas pela imprensa espanhola, como o El Mundo e o El País.

Decidimos tomar a iniciativa e dar um passo em frente. Neste momento não pode haver lugar a meias tintas nem linhas vermelhas. Ou se defende a mudança ou o imobilismo e o bloqueio.

Pablo Iglesias diz-se disponível para começar a “trabalhar desde já” com Pedro Sánchez, líder do PSOE de quem se propõe ser vice-presidente, e com Alberto Garzón, líder da Esquerda Unida. Iglesias quer um governo a trabalhar na reversão dos cortes aplicados pelo governo do PP (liderado por Mariano Rajoy) e concentrado nas matérias de cariz social.

E como reagiu o Rei Felipe VI à mensagem transmitida por Pablo Iglesias? Com “naturalidade e interesse”.

Sanchez agradece mas…

Quem já respondeu foi Pedro Sanchez. Citado pelo El Pais, o líder do PSOE não descarta a oferta de Pablo Iglesias para formar Governo, num pacto que inclua também a Esquerda Unida, mas prefere esperar. E esperar pelo quê?  Esperar que Rajoy fracasse. Ou seja, mal o líder do PP apresente o seu Governo, Sanchez esperará que esse Governo caia antes de começar a fazer as suas contas de somar.

“Temos de ser escrupulosos e cuidadosos com os ‘timings’, não há atalhos”, disse Sanchez, garantindo novamente que não viabilizará qualquer governo do PP, seja Rajoy ou outro qualquer o líder. Pedro Sanchez revelou que soube da proposta do Podemos pelo Rei, agradeceu-a a Iglesias, afirmou que ambos estão de “acordo com o diagnóstico”, mas “as políticas são outra coisa”.

Pedro Sanchez quer aliás acordo não só com o Podemos, como com o “Ciudadanos e outras forças”, bem com pactos sobre uma “recuperação económica justa”, “educação”, “construção europeia” e até “reforma constitucional”.