O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está esta segunda-feira no Laos para discutir o legado das bombas norte-americanas deixadas por explodir no país e a influência da China no sudeste asiático.

A viagem a Vientiane serve também de iniciação à cimeira organizada no próximo mês pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, na Califórnia (EUA), com os dez líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O Laos assumiu este ano a presidência do bloco regional e será, por isso, palco de intensa atividade diplomática, a culminar com a visita de Obama, o primeiro líder norte-americano a visitar o país.

Antes de se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Thongloun Sisoulith, Kerry disse à imprensa que o encontro iria girar em torno da remoção de munições.

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“É bom estar aqui (…) Há muito tempo que trabalhamos neste projeto de remoção de minas e [minimização] dos efeitos da guerra, e vamos continuar”, disse.

As bombas por explodir que povoam a região são fruto de bombardeamentos em massa dos Estados Unidos da América, durante a guerra no Vietnam, que tinham o objetivo de atingir as rotas de abastecimento ao norte do Vietname, que atravessavam o Laos.

Esta operação fez do Laos o país mais bombardeado do mundo per capita, com mais de 250 milhões de bombas a serem lançadas sobre a nação. Cerca de 30% não explodiu, incluindo munições de fragmentação.

Perto de 5.000 pessoas morreram devido a estas munições desde o fim da guerra e dezenas de milhares ficaram mutiladas, incluindo crianças.

A visita de Kerry surge também num momento em que os Estados Unidos se tentam aproximar do sudeste asiático, uma região onde o domínio da China é forte, particularmente sobre pequenas nações.

“O Laos é um país como o Camboja, onde a China tem sido o interveniente dominante, tanto em termos económicos como políticos”, disse o secretário de Estado.

“Assim, é significativo que o Laos tenha — particularmente nos últimos anos e certamente em 2015 — mostrado tanto interesse em fortalecer relações com os Estados Unidos”, afirmou.

A administração de Obama elevou as relações com a Ásia a prioridade diplomática, em particular no que toca ao fortalecimento da ASEAN como contraparte ao poderio regional da China. Vários países da ASEAN opõem-se ao crescente domínio da China no disputado Mar do Sul da China.