O Tajiquistão é um pequeno país montanhoso localizado no meio da Ásia tendo conquistado a independência depois da queda da União Soviética em 1991. Cerca de 99% dos seus mais de 7 milhões de habitantes são muçulmanos. Mas muitos deles não têm tido dias fáceis na pequena nação asiática.

A BBC conta que centenas de homens foram detidos nos últimos anos por utilizarem barba que depois lhes é cortada à força. Esta situação ganha importância e polémica tendo em vista que muitos homens utilizam a barba como parte da tradição muçulmana.

O canal pegou em nove homens que já passaram por esta experiência e, um deles, Djovid Akramov, relata que “chamaram-me salafista, radical e inimigo público. Não foram nada tímidos com os insultos. E dois deles pegaram-me nos braços e outro cortou-me a barba”. Foi assim que Akramov foi abordado na rua em frente a casa e ao filho de 7 anos tendo sido detido numa esquadra na capital Dushanbe.

No princípio da semana passada a polícia da região de Khatlon explicou que fez a barba a cerca de 13 mil homens esclarecendo que esta medida faz parte de “uma campanha contra a radicalização”.

Ou seja, esta campanha tem como objetivo lutar contra as tendências que “não concordem com a cultura do Tajiquistão”. Para além disso o Governo anunciou que quer suster a radicalização daqueles que são inspirados pela propaganda de grupos islâmicos nos países vizinhos como o Afeganistão, Iraque e Síria.

Mas as medidas não se ficam por aqui: o uso da hijab, ou véu islâmico, pelas mulheres fica também proibido em escolas, universidades e outros locais públicos e oficiais e as autoridades pedem aos pais para que não escolham nomes árabes para os filhos:

Não adotem costumes estrangeiros, não sigam as culturas do exterior. Usem roupas tradicionais e evitem o negro. Mesmo quando vão a um enterro, as mulheres devem vestir branco e não negro”, afirmou o presidente, Emomali Rahmon.

No que à barba diz respeito, a polícia decidiu cortá-la aos homens que a utilizem devido ao facto de esta ser uma tradição importante no movimento ultraconservador do Islão, o salafismo.  Se a barba é melhor cuidada no que toca aos muçulmanos mais moderados, os salafistas deixam-na mais desordenada podendo, inclusivamente, cortar apenas a parte de cima da boca – esta é, por sua vez, uma alusão à maneira como o profeta Maomé utilizava a barba.