O Governo moçambicano vai enviar uma equipa para avaliar as necessidades das pessoas que fugiram para o Maláui devido à crise política e militar no centro de Moçambique, anunciaram autoridades da província de Tete, citadas hoje pela imprensa local.

“Dentro destes dias, vamos enviar uma equipa para o Maláui para aferirmos as informações reais nos referidos centros de acomodação”, disse ao Diário de Moçambique Lina Portugal, secretária permanente de Tete, província que faz fonteira com o Maláui e que foi palco de recentes confrontações militares entre as forças de defesa de Moçambique e homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), na oposição.

A equipa, composta por membros dos governos dos distritos de Moatize e Tsangano, trabalhará em colaboração com o Governo malauiano e com o consulado moçambicano no país vizinho.

“Nós queremos, junto das autoridades malauianas, ver como é que podemos intervir no apoio aos refugiados”, acrescentou a secretária-permanente.

Dados oficiais indicam que pelo menos três mil refugiados encontram-se acomodados em três centros no Maláui.

Recentemente, o Alto Comissariado das Nações Unidos para os Refugiados (ACNUR) alertou para a subida do número de pessoas em fuga da crise em Moçambique, afirmando que na primeira quinzena do mês de janeiro chegaram 1.297 pessoas à cidade de Kapise, cem quilómetros a sul da capital do Malawi, Lilongwe.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses, com registo s de confrontações entre as forças de defesa e segurança e homens armados da oposição, alguns dos quais na província de Tete.

O líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

Afonso Dhlakama não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda, no terceiro incidente em menos de um mês envolvendo a comitiva do líder da oposição.

Nas últimas semanas, Governo e Renamo têm-se acusado mutuamente de raptos e assassínios dos seus membros.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo, que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só retomará o diálogo após a tomada de poder no centro e norte do país.