“Gostaríamos de ter a estação de Santa Apolónia valorizada, com terminal ferroviário, mas aproveitamento comercial, porque do outro lado estará o Terminal de Cruzeiros”, afirmou António Ramalho, quando questionado pelo deputado do PCP Bruno Dias sobre os planos para a estação de comboios de Lisboa. A pergunta surge depois de na semana passada os representantes de organizações sindicais da ex-REFER terem denunciado “o despejo de trabalhadores de instalações que aos poucos estão a ser objeto de negócios imobiliários”.

Na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, António Ramalho admitiu a possibilidade de Santa Apolónia vir a ter um hotel, dando o exemplo bem-sucedido com outros imóveis detidos pela empresa pública, como a estação do Rossio que gera uma renda anual de um milhão de euros. Ainda assim, o responsável garantiu que os planos para a estação de comboios de Santa Apolónia mantêm a sua vocação de terminal ferroviário. “Estamos a tentar valorizar as estações”, realçou, dando ainda o exemplo da estação de São Bento, no Porto, “uma das mais bonitas do mundo”, que recebe cerca de 4.000 visitantes por ano que não andam de comboio.

Sem precisar o plano para a estação de comboios portuense, o responsável adiantou que “as laterais tinham carros de bombeiros e ferro velho de antigas composições”, considerando que não era “um exemplo a manter”. Sobre sucessivas mudanças do posto de trabalho dos funcionários da antiga Refer e da Estradas de Portugal, na sequência da fusão das duas empresas públicas, António Ramalho desvalorizou a questão, referindo que apenas 13 pessoas terão que fazer três mudanças e que há trabalhadores a mudarem-se do Palácio Coimbra para Santa Apolónia, que distam 100 metro.

Neste âmbito, acrescentou, que ele próprio teve que se adaptar e mudar de “uma sala ampla” para um gabinete mais pequeno, na sede da Infraestruturas de Portugal, junto à praça das portagens, ao lado da ponte 25 de Abril, em Almada. Ainda assim, António Ramalho admitiu que “o clima social não está perfeito”, mas também que “um processo de fusão não é uma situação simples”.