E se a ilha habitada mais remota do mundo estivesse à procura de uma maneira de ser auto-suficiente? É isso que conta esta terça-feira o El Confidencial, num artigo que é uma espécie de anúncio de emprego e tentação para amantes da natureza, agricultores e para aqueles que dariam uma mãozinha com o gado. A ilha chama-se Tristan da Cunha e está algures perdida no Oceano Atlântico…

O desafio é óbvio: quem teria coragem de mudar de vidinha na civilização como a conhecemos e aventurar-se numa ilha a meio caminho entre África e a América do Sul? Os candidatos têm de dominar o inglês e saber cultivar e colher, o mesmo é dizer que têm de dominar e ter experiência na arte da agricultura. Ah! E saber como cuidar de 300 a 500 vacas que por lá habitam.

O território, conta o El Confidencial, pertence aos britânicos e os seus inquilinos pretendem deixar de depender de outros países. Ou seja, o objetivo é tornar os preços dos produtos mais baratos para os 265 cidadãos e facilitar a distribuição. O artigo do diário espanhol conta ainda que vivem por lá 23 estudantes e que é necessário uma viagem de barco de uma semana para lá chegar. O ponto de partida é a Cidade do Cabo, na África do Sul.

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O livro do Guiness rotulou-a de “ilha habitada mais remota do mundo”. O território (que é na verdade um arquipélago) foi descoberto em 1507, pelo navegador português Tristão da Cunha, que no entanto não conseguiu lá atracar, devido aos penhascos que têm mais de 600 metros de altura. Manteve-se inabitado até meados de 1700, quando caçadores de baleias americanos por ali aterraram, conta o Telegraph. Seriam, contudo, três homens da armada britânica, uns anos mais tarde, que ficariam por lá e tornar-se-iam os fundadores da ilha Tristão da Cunha.

Curioso também é o facto de um britânico de Birmingham ter sido durante os últimos sete anos o embaixador (ou representante, vá) da pequena ilha, conta outro artigo do Telegraph. Chris Bates, que já caminha para os 70 anos, conseguiu tal proeza a quase dez mil quilómetros de distância, de casa, numa tarefa que classificou de “trabalho a tempo inteiro”.

O fascínio pela ilha surgiu em 2006, quando a visitou. Depois aceitou ser o seu representante no Reino Unido, tendo até de assinar um contrato. A sua atividade levou-o três vezes a Londres para ter algumas reuniões com ministros, mas Bates acabaria por ir também a Greenland, Bruxelas e às Ilhas Caimão. “Tem sido imensamente satisfatório ajudar as pessoas de Tristão”, disse ao Telegraph no início de 2015.