Ben Rothenberg escreve para o New York Times e é apaixonado por ténis. Porquê? Porque um dia, quando era pequeno, o pai estava a ver uma partida de Martina Navratilova e ele ficou fascinado… com o nome dela. Agora escreve sobre o desporto que o encanta, para o bem e para o mal.

Numa altura em que se fala dos jogos combinados e da corrupção ao mais alto nível no ténis, depois da investigação da BBC e da BuzzfeedRothenberg publicou um artigo no New York Times esta quinta-feira a contar como foi contactado por alguém para o introduzir no mundo obscuro das apostas. Tudo aconteceu numa qualquer manhã de 2015, quando caminhava junto a um Starbucks em Washington, onde reside. No Facebook recebeu uma mensagem de um tal de Ben Rothenberg, que terá servido apenas para conquistar a sua atenção .

“Olá, senhor Ben. Está interessado em informação sobre jogos combinados? Escreverei em russo”, assim começou o contacto entre ambos. Ele estava interessado, pois claro. Começaram a bater bolas, em forma de palavras, em russo. O seu “garganta funda” ao estilo Watergate, conta Ben, descobriu-o depois de Rothenberg ter escrito sobre um jogo combinado num pequeno torneio de Dallas. “Isso é só uma gota no oceano”, revelou o informador. E avisou: “Espero que entenda o quão fundo é o buraco do coelho [expressão usada para descrever algo confuso e complexo]. Eu sofri pessoalmente com essas pessoas. E eles gozam de impunidade. Têm de parar.”

Desconfiado, o alegado russo pediu para mudarem de plataforma de conversação, passando assim do Facebook para o Viber. Na segunda vez que falaram, o informador disse ao jornalista para este encontrar o resultado de um jogo de Challenger do ATP. Avisou-o, qual profeta, que haveria quebra de serviço logo no segundo jogo e que, depois, terminaria 6-0. Conclusão: esse set terminou em 19 minutos, o que, segundo o jornalista, até suscitou dúvidas em algumas pessoas no Twitter. Uns meses depois, encontrou o vencedor desse duelo na Austrália e perguntou-lhe umas coisas. O tenista diz não ter suspeitado de nada e que o outro simplesmente baixou o nível.

Agarrada a atenção do jornalista, o russo tentou atrai-lo ainda mais para esse mundo. Explicou-lhe os valores: comprar uma quebra de serviço no escalão Future poderá custar entre 275 e 460 euros. Um set poderá custar entre 920 e 1800 euros, enquanto um jogo seria entre 1800 euros e 2750 euros. Em Challenger a coisa sobe, com sets e jogos a poderem custar entre 9.200 e 13.700 euros, segundo o russo. E no grande circo do ATP, nos grandes torneios? Bom, um set poderá custar 23 mil euros e um jogo inteiro algo como 90 mil euros. Rothenberg ressalvou que não foi possível confirmar as informações.

Depois, houve uma reviravoltao russo colocou um bombom à frente do norte-americano (informação sobre Grand Slams e ATP), mas este teria de entrar com algum dinheiro. “Depois de repetir com clareza que não atravessaria essa linha, ele ficou em silêncio desde o meio de dezembro.”