Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Andy Murray e Novak Djokovic vão encontrar-se pela quarta vez na final do Open da Austrália. O score é 3-0 para o sérvio. Mas antes mesmo de conhecer o seu fado, Murray já fez história… com a ajuda do seu irmão. Os manos Murray são os primeiros a atingir as finais de singles e doubles do mesmo torneio (na era dos opens). Jamie venceu. Como vai ser, Andy?

“Foi engraçado ver o Andy no final”, disse Jamie depois de vencer a competição com Bruno Soares. “Esteve, obviamente, a ver o jogo no balneário. Eu não sabia disso. Pensava que ele tinha voltado para o hotel. Talvez ele tenha voltado quando pensou que teríamos chances. (…) Estivemos no balneário um bocado antes [da final]. Ele esteve a treinar. Expulsámo-lo do court. (…) Fiquei chocado quando o vim lá [depois da final].” Jamie Murray e Bruno Soares venceram Daniel Nestor e Radek Stepanek ( 2-6, 6-4, 7-5).

Murray é o número dois do mundo e volta a encontrar o número um na final do Open da Austrália. O britânico teve de suar e pedalar muito para tirar do caminho Milos Rahonic (6-1, 6-2, 3-6, 6-3): as meias-finais viram os ponteiros do relógio ultrapassar as quatro horas. Quatro, senhoras e senhores. “É um touro”, escreve o El País.

Uma coisa de cada vez. Murray perdeu quatro finais deste torneio desde 2010: Roger Federer (2010: 3-6, 4-6, 6-7), Djokovic (2011: 4-6, 2-6, 3-6), Djokovic (2013: 7-6, 6-7, 3-6, 2-6) e Djokovic (2015: 6-7, 7-6, 3-6, 0-6). O britânico tentará à quinta matar o borrego e imitar Jamie, para engrandecer o recorde do clã Murry. “Não há razão possível para que eu não acredite na vitória”, avisou.

O pequeno problema é que tem pela frente um tal de Djokovic. O número um, o monstro do ténis dos últimos anos, que junta técnica sublime com uma condição física impossível. Com a vitória nesta prova em 2015, o sérvio somou o quinto Open da Austrália e ultrapassou senhores como André Agassi (1995, 2000, 2001, 2003) e Roger Federer (2004, 2006, 2007, 2010), que venceram quatro. Aos três duelos vitoriosos com Murray juntam-se outros com Jo-Wilfried Tsonga (2008) e Rafael Nadal (2012). A matemática é simples: Djoko nunca perdeu uma final na Austrália. E chegou a esta depois de bater Federer (6-1, 6-2, 3-6, 6-3).

Qual é a estratégia, Andy? “Na final que jogámos aqui, no ano passado, não houve muita diferença. Durante três sets estive à altura. Em Miami e Roland Garros passou-se o mesmo. E noutra partida muito fechada ganhei-lhe, no Canadá”, explicou Murray. “Devo manter esse nível, mas não um ou dois sets seguidos, mas sim o tempo todo. Esse é o meu objetivo: ser o mais consistente possível.”

Não há bola de cristal, mas adivinha-se uma final bem jogada, longa, épica e com muitas bolas a beijar as linhas. Eles vão sorrir, limpar o suor da cara, irritar-se de vez em quando e deixar fugir a respiração. Ofegantes, vão deixar muito boa gente de queixo caído. O duelo arranca às 8h30 da manhã (em direto na Eurosport 1), mas é coisa para terminar à hora do almoço. E agora, Andy? Imitar o irmão ou perder com o papão?

(notícia corrigida às 20h45 com informação correta sobre o canal em que será transmitido jogo)