O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, declarou hoje que o resultado de eventuais negociações com outras forças políticas em Espanha para tentar formar Governo será ratificado “pelo Comité Federal do partido” e através de uma “consulta à militância”.

“As negociações com outros partidos serão abertas, com luz e taquígrafos (máquina usada nos tribunais para apontar oficialmente todas as intervenções)”, disse Pedro Sánchez perante os representantes do PSOE no Comité Federal, que decorre na sede do partido em Madrid.

“Todos os acordos vão passar por todos os filtros e garantias possíveis”, acrescentou o líder socialista, salientando igualmente que essas garantias passam por uma “ratificação pelo Comité Federal e uma consulta à militância”.

Num Comité Federal decisivo para se perceber a postura do PSOE perante a “oferta” de Governo de coligação por parte do Podemos, Pedro Sánchez disse aos socialistas que foi “vítima de arrogância e desplantes”, numa referência à proposta do partido de Pablo Iglesias.

Vários dirigentes e “históricos” do PSOE têm criticado a forma como o Podemos se ofereceu para formar Governo com os socialistas e com os comunistas da Izquierda Unida. Iglesias insistiu que ele próprio tem de fazer parte do executivo, como vice-presidente de Sánchez, enumerou cinco ministérios (entre os quais Defesa, Justiça e Negócios Estrangeiros) que o seu partido teria de ocupar e afirmou a presença do Podemos no Governo serve para “controlar” o PSOE, que – disse – “afirma uma coisa em campanha e depois de estar no poder faz outra”.

Por isso mesmo, Sánchez advertiu hoje no decorrer das negociações “não vai falar sobre a composição do Governo, nem de cadeiras”, mas sim das “políticas que os cidadãos necessitam”.

O secretário-geral do PSOE começou a sua intervenção com uma palavra clara ao líder do PP, Mariano Rajoy, que necessita do acordo dos socialistas para a sua reeleição.

“Digo desde já ao senhor Rajoy que abandone toda a esperança. O PSOE não vai indultá-lo com o seu voto”, realçou Pedro Sánchez, reiterando as críticas ao PP por causa dos casos de corrupção que têm afetado os populares.

“A estabilidade que Espanha precisa não pode chegar por meio de um partido carcomido pela corrupção”, declarou.

Na sexta-feira da semana passada, Rajoy declinou um primeiro convite do rei Felipe VI para formar Governo, afirmando que não tem apoios suficientes.

Na terça-feira termina uma nova ronda de consultas do rei aos partidos políticos na sequência das eleições de 20 de dezembro.

“Se não se apresentar à votação de investidura [para presidente do Governo, no parlamento], é melhor que vá para casa”, insistiu Sánchez, que pretende formar um governo “reformista e progressista” (tendo como exemplo o caso português), mas só depois de Rajoy ser “chumbado” no Congresso dos Deputados.