Anos difíceis, intensos e desafiantes. Pela primeira vez, os nossos deputados têm direito a videobiografias. Muitos fizeram-no ainda durante os poucos dias que durou o Governo de Passos Coelho e deixaram antever aquilo que se desenharia pouco depois. À esquerda falou-se em quatro anos – sim, quatro anos – “intensos”,  de “luta política frontal e leal”, mas, e sobretudo, de otimismo.

Era isso que expressava, por exemplo, José Manuel Pureza, deputado e fundador do Bloco de Esquerda, às câmaras da AR TV. “[Esta legislatura vai trazer] trabalho muito intenso, onde a argumentação, o compromisso, a luta política frontal e leal vão ser exigências de todos os dias, desde os grandes debates quinzenais até à produção legislativa e a fiscalização política do Governo. A palavra-chave seria: ‘Intensidade’”.

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Cortesia da AR TV

É certo que, na altura em que muitas destas vídeobiografias foram gravadas, o Governo de Pedro Passos Coelho ainda não caíra, mas as primeiras negociações faziam antever um caminho feliz para as esquerdas. E de grande “expectativa”, como resumiria o bloquista José Soeiro. 

“Tenho muita expectativa que consigamos ter maioria aqui na Assembleia da República para dar direitos aos trabalhadores a recibos verde, para combater a precariedade, para limitar o uso abusivo de estágios, para garantir um combate mais efetivo à pobreza, para recuperar salários rendimentos. [Que possamos] reverter esta onda avassaladora de gente a sair do país”, atiraria então.

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Cortesia da AR TV

Entre bloquistas, já se sabe qual era o estado de espírito. O que acabou por não ficar gravado em fita foi o ânimo entre as tropas da Soeiro Pereira Gomes. Sim, os deputados do PCP fugiram das câmaras da AR TV e não houve testemunho para a posteridade.

Saltando, então, para os deputados socialistas. Quem definiu o tom foi Edite Estrela. “[Espero que esta legislatura] chegue ao fim, ou seja, que dure os quatro anos. Que corra tudo pelo melhor, para bem de Portugal e dos portugueses”. Era o statement, da ex-eurodeputada socialista.

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Cortesia da AR TV

Mas Edite Estrela não foi a única a posar para as câmaras. E entre socialistas, houve mesmo quem reconhecesse a originalidade da situação.

“[Espero que o Parlamento] tenha capacidade de enfrentar uma situação muito original do ponto vista da composição parlamentar. É uma experiência nova. E isso vai dar ao Parlamento uma grande centralidade. [Por isso], espero que o Parlamento tenha capacidade de construir soluções que ajudem Portugal a ultrapassar a situação difícil que tem vivido ao longo dos últimos anos”, dizia Vieira da Silva, ainda antes de vir a tornar-se ministro da Segurança Social.

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Cortesia da AR TV

E se no Parlamento já se desenhavam os acordos à esquerda que viriam a provocar a queda do Governo PSD/CDS, havia já na bancada parlamentar do PS quem olhasse para um gabinete em particular e talvez pensasse em como ficaria bem pintado de outra cor. Ana Paula Vitorino, por exemplo. A socialista aproveitou o tempo de antena para lembrar o grande interesse numa área-chave para o país – a economia do mar. Piscadela de olho feita, quase mês e meio depois, Ana Paula Vitorino estava a tomar posse como ministra do Mar.

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Cortesia da AR TV

À direita os ânimos eram, compreensivelmente, diferentes. Não houve ninguém a pedir novas eleições, é certo, mas os avisos multiplicaram-se. “As minhas expectativas é que nesta legislatura não se venha a perder aquilo que se conquistou na legislatura anterior com tanto esforço e sacrifício dos portugueses”, atiraria Carlos Abreu Amorim, deputado social-democrata.

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Cortesia da AR TV

Duarte Pacheco, entre a vontade de “aceitar as regras do jogo democrático”, não deixaria de pedir expressar a dúvida. “Que esta legislatura, dure meses, anos, o tempo que durar“.

Seria Duarte Marques a pacificar a posição social-democrata. “Esperemos estabilidade. Que seja uma legislatura longa e que possamos continuar o trabalho de retirada de Portugal da bancarrota e sobretudo de ter um crescimento mais sustentável, com um futuro mais risonho para as novas gerações. Uma legislatura que venha consolidar aquilo que foi feito nos últimos quatro anos”.

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Cortesia da AR TV

Do lado centrista, o desejo era semelhante. Foram poucos os que quiseram gravar o testemunho, mas Teresa Caeiro acabaria por resumir a vontade dos centristas.

“[Que esta legislatura] seja boa para Portugal. Independentemente da força política que um deputado representa, estamos numa altura de saída de um enorme esforço de todos os portugueses e merecemos agora voltar a crescer e voltar a recuperar a nossa confiança. Espero que haja o sentido de responsabilidade por parte de todos para que haja convergência nas questões essenciais para o nosso país”.

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E André Silva, que obrigou os outros grupos parlamentares a chegarem-se para o lado para dar um lugar ao PAN, recém-chegado? O deputado acabaria por reconhecer que tem em mãos uma tarefa difícil e que esta vai ser “uma legislatura desafiante”. Ainda assim, não faltava optimismo a André Silva.

“[Tenho] boas expectativas, no sentido de poder trabalhar com todos os grupos e todos os movimentos políticos e aí conseguir debater e fazer passar algumas medidas, causas que são transversais a todos os portugueses e a todos os partidos políticos”, sublinharia o líder do PAN.

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Cortesia da AR TV