Longe, muito longe de conseguirem chegar a um qualquer acordo para que se constitua um novo governo em Espanha decorrente das últimas eleições legislativas — já lá vai um mês e meio — sucedem-se as declarações dos líderes políticos que continuam às voltas sem solução à vista.

Este domingo foi a vez de Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, partido que acabou por ficar aquém dos resultados que ambicionava nas eleições — obteve 40 deputados, atrás do Podemos —  dar uma entrevista ao diário espanhol El Mundo.

Rivera partiu para o ataque e não poupou críticas ao PP e ao PSOE, a Mariano Rajoy e a Pedro Sánchez.

Quem não pode arrumar a sua casa, não pode arrumar Espanha”, começa por dizer, numa clara alusão à confusão instalada no seio dos dois maiores partidos espanhóis.

O líder do Ciudadanos vai mais longe a acusa Rajoy e Sánchez de serem “irresponsáveis”:

Rajoy e Sánchez jogam ao gato e ao rato, ao rato e ao gato. É uma irresponsabilidade. Estão a passar a batata quente ao rei.”

Rivera, que já afirmou que não entrará num governo liderado pelo PSOE, e que também sabe que só o seu apoio não chega para dar maioria a nenhum dos dois partidos mais votados, admite agora que acha possível “um pacto para um governo de transição”. Mas deixa uma condição: “Quero um contrato por escrito para as reformas e com calendário”.

Com as novas audiências com o rei de Espanha a decorrer — na primeira ronda Mariano Rajoy recusou a investidura de Felipe VI — Albert Rivera defende que Sánchez deve aceitar a indigitarão, caso seja essa a decisão do monarca espanhol:

Se o rei o propuser, Sánchez deve aceitar e pedir um tempo para negociar. Não há que negá-lo, embora eu não goste de um Governo assim.”

E se o líder do PSOE não recolhe elogios de Rivera, Rajoy não lhe fica atrás. O líder do Ciudadanos defende mesmo que o líder do PP deve mudar.

Rajoy não pode liderar uma nova etapa política. Mas é o PP que tem de tomar a iniciativa. Não sou eu que lhes vou fazer os trabalhos de casa.”