A fotografia de Aylan Kurdi, a criança síria que foi encontrada sem vida numa praia na Turquia e que se tornou num símbolo da crise de refugiados, foi reproduzida pelo artista e ativista chinês Ai Weiwei. Para a imagem, captada por Rohit Chawla para a revista India Today, Ai deitou-se na praia da ilha de Lesbos, na Grécia, imitando a posição do corpo de Kurdi, encontrado em setembro de 2015 perto da cidade turca de Bodrum. O artista chinês e a sua equipa estiveram envolvidos na produção da fotografia, refere o jornal The Washington Post.

“Quando lhe disse ‘encontramo-nos no teu estúdio’, Ai Weiwei respondeu: “a costa é o meu estúdio”, contou ao jornal norte-americano Gayatri Jayaraman, editor da India Today que entrevistou o artista chinês. Em janeiro, Ai transferiu o seu estúdio para a Lesbos, um ponto importante para a entrada de sírios na União Europeia, de modo a chamar a atenção para a crise de refugiados. Desde então, tem passado os seus dias à beira-mar, ajudando as equipas de resgate e colecionando partes dos barcos para uma instalação.

“Ele é um grande artista mas, para mim, também parece uma espécie de Mahatma Gandhi. É muito caloroso e humilde, mas a sua presença naquela situação, enquanto chegavam refugiados cansados, molhados e gelados, foi colossal. E muito política”, acrescentou Jayaraman, que teve a oportunidade de ver o artista chinês a ajudar os refugiados junto à praia.

A fotografia de Ai Weiwei, que será publicada esta semana na revista indiana, integrou a exposição “The Artists”, que esteve patente este fim de semana na India Art Fair, em Nova Deli. “É uma imagem icónica porque é muito política, humana e envolve um artista muito importante como Ai Weiwei”, disse ao jornal norte-americano Sandy Angus, diretora da feira de arte. “A imagem é assombrosa e representa a crise de imigração e o desespero das pessoas que tentam escapar dos seus passados em busca de um futuro melhor.”