A caverna (ou o conjunto de cavernas) de Lascaux, no sudoeste de França, é a par da de Altamira, a pouco quilómetros e do outro lado da fronteira, em Espanha, a “Capela Sistina” da arte pré-histórica.

Foi descoberta quase acidentalmente, por quatro adolescentes e o seu cão Robot — na verdade, foi mais a curiosidade e farejo do cão a descobri-la –, a 12 de setembro de 1940. Contudo, foi o “Papa da pré-história”, o abade Henri Breuil, refugiado da ocupação nazi naquela área, o primeiro especialista a visitar Lascaux, meses depois, a 21 de setembro de 1940. Foi também Breuil (acompanhado dos historiadores Jean Bouyssonnie e André Cheynier) o primeiro a autenticá-la — datou-a de 17.000 a.c. –, descrevê-la e estudá-la.

As cavernas de Lascaux já atravessaram vários períodos de abertura aos arqueólogos, “arqueólogos” de ocasião ou só curiosos, Lascaux I, II e III, reabrindo agora com Lascaux IV.

O diretor do projeto que abrirá ao público no próximo verão, André Barbe, explica-o e explica a história que o antecedeu: “Lascaux I foi o momento de revelação. Um evento excecional. A caverna foi declarada Monumento Histórico Nacional em dezembro de 1940. Por fim, Lascaux foi vítima do seu sucesso. Mais de um milhão de pessoas visitaram o local entre 1948 e 1963. Visitantes que se tornaram uma ameaça preocupante para Lascaux . E foi André Malraux , grande romancista e ministro da Cultura francês, que decidiu fechar Lascaux ao público, numa altura em que a caverna foi declarada Património da Humanidade pela Unesco. Vinte anos depois, em 1983, um primeiro projeto de reprodução parcial foi aberto. Era, à época, uma proeza técnica. Mais de dez milhões de turistas visitaram essa reprodução parcial, que teve de ser abandonada por razões financeiras.”

Seguiu-se depois Lascaux III, em 2012. “Veio marcar o processo de internacionalização de uma exposição que reproduzia parcialmente a caverna original. E agora Lascaux IV é um igualmente um marco importante: ditará o funcionamento integral e definitivo de um monumento único na história da arte paleolítica, a dois passos da caverna original, no Vale do Vézère, em Dordogne”, concluiu o diretor do projeto.

Barbe promete “muita e grande emoção” para graúdos, crianças, locais e turistas que desejem “descobrir os mistérios da grande arte paleolítica”. Nele trabalharam (e trabalham, desde há meses) mais de trinta artistas, pintores, escultores, soldadores e especialistas em cópia e reprodução de obras de arte. André Barbe fala de uma cópia “exata e final” dos quase 900 metros quadrados de pinturas de Lascaux. O espaço, esse, será “fac-similado em 3D” por um conjunto de arquitetos vindos da Noruega, substituindo a réplica atual de Lascaux IV.

As autoridades locais esperam obter a visita de três mil turistas por dia, após a abertura definitiva do local, no verão.