A venda da Tivoli Hotéis “marca o final de um período conturbado de dois anos para a empresa”. Foi com este desabafo por parte do administrador da cadeia, Filipe Santiago, que arrancou a apresentação daquela que será a maior transação alguma feita no setor hoteleiro em Portugal.

A aquisição da Tivoli Hotéis pelo Minor Hotel Group (MHG) por 294,2 milhões de euros foi realizada em duas fases, a última das quais marcada por vários avanços e recuos nas malhas dos tribunais e dos processos judiciais de recuperação de empresas.

Com a entrada do novo acionista, o grupo está a trabalhar num plano de renovação e upgrade das unidades Tivoli, avaliado em 50 milhões de euros. Três unidades, duas em Portugal e uma no Brasil, estão já a receber obras de recuperação.

Os hotéis Tivoli foram um dos poucos negócios a sobreviver ao colapso do Grupo Espírito Santo (GES). A empresa passou por um plano de recuperação, que numa primeira instância foi contestado pelo Montepio — a caixa econômica acabaria por dar o seu acordo à venda que assegurou a viabilização — e por uma ordem de arresto emitida sobre os bens da Rioforte, a holding não financeira do GES, por causa dos inquéritos judiciais em curso.

Só quando o arresto foi levantado, em dezembro último, é que foi possível concluir a transação já este ano. Uma “resiliência” por parte do investidor tailandês que o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, elogiou.

O Minor Group iniciou esta operação com a aquisição de hotéis no Brasil e alguns terrenos em Portugal em 2014, num negócio avaliado em 160 milhões de euros, tendo depois apresentado uma oferta no quadro do PER (Plano Especial de Revitalização) da Tivoli Hotéis. A proposta previa um perdão parcial da dívida do grupo, avaliada em mais de 100 milhões de euros, e prometia a salvaguarda dos cerca de mil postos de trabalho.

O valor da marca Tivoli e a qualidade da plataforma comercial, foram os argumentos invocados pelo presidente executivo do Minor Group para justificar a insistência do grupo nesta aquisição que marca a entrada do MHG na Europa e na America Latina e é também a maior transação realizada pelo grupo de capitais tailandeses.

Dillip Rajakarier anunciou a intenção de não só manter a cadeia Tivoli, uma das marcas mais antigas do setor, com mais de 80 anos, mas também revelou planos para expandir a marca para fora de Portugal. Já destinos em estudo, adiantou Filipe Santiago sem revelar mais detalhes.

O presidente executivo do Minor Group revelou também a existência de planos para trazer algumas das marcas do grupo tailandês para Portugal. Entre elas estarão a Anantara, uma marca de super luxo, e a Avani.

Com 14 unidades, 12 em Portugal e duas no Brasil, a Tivoli gerou receitas de 121 milhões de euros no ano passado. O negócio hoteleiro do Minor Group conta com 145 unidades em 22 países.