Depois de Pablo Iglesias ter apresentado ao Rei uma proposta de governo em que seria vice de Pedro Sánchez (PSOE), a força regional Podemos Saragoça foi mais longe: num tweet, sugeriu a composição de um governo de esquerda, detalhando os vários ministros que o poderiam formar (6 do PSOE, 4 do Podemos, 1 da Esquerda Unida e outro da coligação catalã “Juntos Podemos”). O tweet já foi apagado: mas o registo ficou.

Na proposta enviada pelo Podemos Saragoça, o governo de coligação seria alargado, com várias forças políticas de esquerda. O Podemos teria direito a quatro ministérios: o do Interior (liderado pelo número dois do partido, Iñigo Errejón), o da Defesa (liderado por Júlio Rodríguez Fernández), o da Justiça (pasta assumida por Victoria Rosell) e o da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade (Carolina Bescansa Hernández). Para além, é claro, do cargo de vice-presidente do governo, que seria assumido por Pablo Iglesias.

Também o ministério da Economia, Finanças e Competitividade ficaria para uma força que não o PSOE: neste caso, sugeriu o Podemos Saragoça, a pasta poderia ser assumida por Alberto Garzón, líder da Esquerda Unida (que obteve apenas 3,67 % dos votos e que tem uma bancada parlamentar de apenas 2 deputados).

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Já a coligação catalã “Juntos Podemos” (ou “En Comú Podem”), que reune várias forças de esquerda catalãs (uma delas é o Podemos da Catalunha) e que foi impedida de formar um grupo parlamentar autónomo dada a sua ligação ao Podemos, teria direito a um ministério: o dos “Assuntos da Plurinacionalidade“, que seria assumido pelo seu cabeça de lista, Xavier Domènech. Recorde-se que a ideia da “plurinacionalidade” de Espanha tem sido defendida por Pablo Iglesias como justificação para a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha.

Quanto ao PSOE, a força política de esquerda mais votada nas últimas eleições teria Pedro Sánchez na liderança do governo e mais seis ministérios: “Indústria e Presidência”, “Emprego e Segurança Social”, “Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente”,  “Educação, Cultura e Desporto”, “Cooperação e Assuntos Externos” e “Crescimento”.

Pedro Sánchez é que não deve ter ficado convencido: o líder do PSOE tem reiterado que falará com os partidos à esquerda e à direita, deixando antever que pretende convencer o Ciudadanos a apoiar um executivo socialista (coisa que o Ciudadanos já afirmou que não fará, caso o Podemos esteja incluído no governo). O mesmo Sánchez que, esta terça-feira, acusou Pablo Iglesias de “desplante” e de “arrogância”.