A União Europeia (UE) quer examinar os contratos que a Gazprom assinou com empresas europeias, na sequência de suspeitas de que a gigante estatal de energia da Rússia tenha imposto preços desleais que violam as regras de negociação. A informação é avançada pelo diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, que cita um documento interno da UE.

Em abril passado, a Comissão Europeia, o braço executivo da UE, acusou a Gazprom de infringir as regras de mercado único do bloco, o que ameaça agravar as relações UE-Rússia, já tensas devido às intervenções de Moscovo na Ucrânia e na Síria. Para a Comissão Europeia, a Gazprom afeta a concorrência nos mercados do gás da Europa Central e Oriental, onde é, de longe, o fornecedor dominante.

Concretamente, a UE afirma que a empresa está a ir contra as regras do mercado único ao proibir a revenda do seu gás entre Estados-membros, o que permite ao gigante russo cobrar preços injustos, acusações que a Gazprom tem rejeitado firmemente. Bruxelas abriu um inquérito sobre as práticas da empresa desde 2012, estando abrangidas pela investigação a Lituânia, a Estónia, a Bulgária, a República Checa, a Hungria, a Letónia, a Eslováquia e a Polónia.

O objetivo é ter acesso a todas as informações sobre os contratos com a Gazprom, que têm de ser disponibilizados pelas empresas envolvidas para análise, aplicando-se a decisão aos contratos com mais de um ano de duração e que fornecem mais de 40% das necessidades energéticas de um Estado-membro. O projeto do gasoduto Nordstream 2, da Rússia para a Alemanha, é um dos visados por esta medida.

De acordo com o diário alemão, Bruxelas também gostaria de estar envolvida, desde o início, nas negociações de fornecimento de gás entre Estados-membros e países de fora da União Europeia.