É um pássaro? É um avião? Não. É o super-ho… me… Não, se calhar é só (mais) um drone. 

Algumas polícias pelo mundo, da Holanda ao Japão, a contas com uma autênticas invasão de drones nas suas cidades — são-no aos milhares –, têm procurado controlá-los, restringindo a sua venda, ou simplesmente “caçá-los” enquanto voam por onde não devem.

Tomemos o caso holandês. É comum verem-se nos aeroportos aves de rapina a caçarem outras aves (sobretudo pombos) que coloquem em risco a segurança das aterragens e descolagens. E a polícia da Holanda optou mesmo por treinar águias para caçarem drones.

Mas a verdade é que, tendo os drones hélices, a pobre ave corre o risco de se ferir. E como no Japão não se querem águias estropiadas, resolveu-se simplesmente caçar drones com drones — usando uma rede acoplada a este. Mais do que explicar-lhe como actua, o melhor é ver a geringonça em acção:

Os drones começaram por ser uma diversão cara, demasiado cara e só acessível à carteira de alguns carolas da tecnologia. Hoje, por tuta e meia compra-se um na Internet, filmam-se as férias da maralha, espreita-se a vizinha do 3.º esquerdo — atenção, que é crime! –, é-se realizador de ocasião, etc. Há, claro, quem os utilize profissionalmente, desde repórteres de imagem a cineastas, e até a polícia os usa. “Alto e para o baile!”, exclamaria o guarda Serôdio, d’Os Amigos do Gaspar.

É precisamente esta a história aqui. Nem todos os Estados têm uma legislação que simplesmente proíba a utilização de drones (por parte de particulares) em determinados locais, como aeroportos, por questões de segurança aérea, ou edifícios (militares ou estatais) onde o que lá aconteça, não é para ser bisbilhotado. Mas há também a questão da nossa privacidade, cidadãos, e da invasão desta: a tal vizinha do 3.º esquerdo quer tudo menos ser filmada enquanto, saída do banho, troca de roupa com a janela entreaberta e as cortinas por recolher.

Se não quer ver o seu drone a ser engalfinhado por uma águia em pleno voo ou simplesmente enredado nas teias da lei, das duas uma: não visite a Holanda e o Japão com ele; ou continue a filmar as férias da maralha, qual Ingmar Bergman ou Miguel Gomes de fim de semana, deixando a vizinha sossegada.