Os restos mortais do poeta chileno e Nobel da Literatura Pablo Neruda, exumados em 2013 para apurar se foi assassinado por agentes da ditadura de Augusto Pinochet, vão voltar a ser enterrados, segundo decisão judicial divulgada esta quarta-feira.

Os restos mortais vão ser entregues ao serviço de medicina legal a 26 de abril para voltarem a ser enterrados na Ilha Negra, na costa central do Chile, última residência do poeta.

“É indispensável que não se prolongue mais do que o tempo necessário a disposição dos restos mortais ao tribunal”, decidiu o juiz Mario Carroza, que dirige o inquérito.

Segundo o juiz, a “totalidade das ações científicas decretadas já foram realizadas”.

O juiz explicou que falta realizar uma última análise para identificar se o poeta inoculou algum tipo de vírus ou bactéria e para tal apenas são necessárias amostras de osso.

A certidão de óbito escrita então pela junta militar refere que Pablo Neruda, membro do Partido Comunista, morreu de cancro na próstata a 23 de novembro de 1973, 12 dias depois do golpe que derrubou o Presidente Salvador Allende e instalou a ditadura de Augusto Pinochet, que provocou mais de 3.200 mortos até 1990.

Mas, o motorista do poeta, Manuel Araya, referiu que Pablo Neruda morreu na sequência de uma vacina que tomou antes de viajar para o México, para onde pretendia exilar, para liderar a oposição a Pinochet.

Em maio de 2014, uma equipa de investigadores espanhóis revelou a presença de bactéria Staphylococcus aureus, que pode provocar graves infeções, incluindo endocardite, infeção no coração.

Nos últimos meses, outros especialistas internacionais lançaram um trabalho de análise mais aprofundada aos resultados e as suas conclusões deverão ser divulgadas em breve.