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A Organização das Nações Unidas (ONU) suspendeu as negociações de paz na Síria. Segundo a BBC, estas poderão ser retomadas a partir de 25 de fevereiro. Mas o principal grupo da oposição sírio afirmou que não volta a negociar até que as suas exigências humanitárias sejam correspondidas, relata a agência noticiosa France Presse.

O grupo “abandonará Genebra amanhã [quinta-feira] e não regressará até que as [suas] exigências humanitárias sejam satisfeitas ou [até] ver alguma coisa na prática (no terreno)”, afirmou o líder da principal força de oposição do país, Riad Hijab, que critica ainda a posição do regime e da ONU nas negociações:

[Nós] viémos [a Genebra] devido a estas garantidas. Mas aconteceu o contrário [do que foi prometido]. Nada aconteceu na frente humanitária e o regime [sírio] causou o falhanço do processo político. (…) Toda a gente sabe quem é que está a fazer com que as negociações fracassem. Quem é que está a bombardear civis e a fazer pessoas morrerem à fome.”

Já o regime sírio tem uma opinião contrária: foi a oposição que provocou o falhanço das negociações, defendem. O representante do regime na ONU, Bashar al-Jaafari, afirmou à saída da última reunião que “desde a sua chegada (…) [a oposição] recusou a tomar parte em quaisquer discussões sérias com o enviado especial [da ONU para a Síria].

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Enviado especial da ONU acredita que interrupção “não é o fim”

Anteriormente, tinha sido este enviado, Staffan de Mistura, a comentar a suspensão das conversações. Segundo o responsável, estas negociações, que tinham como objetivo terminar com a guerra-civil síria que dura há cinco anos, terminaram devido à falta de progressos registados nas últimas semanas.

Apesar das negociações terem sido adiadas para o final do mês (25 de fevereiro) — o que pode ser inviabilizado pela aparente recusa da oposição síria em voltar a sentar-se à mesa das negociações — Mistura garantiu que ainda “existe trabalho para ser feito”. “Não é o fim e não é uma falha nas conversações. Porquê? Eles vieram e ficaram. Ambos os lados insistiram no facto de estarem interessados em iniciar um processo político.”

Na terça-feira, porém, o enviado especial admitiu a possibilidade de existir um “fracasso” nas negociações de paz, que começaram oficialmente esta semana em Genebra. Em declarações à rádio e televisões suíças, de Mistura confessou que “se houver um fracasso desta vez, não haverá mais esperança”.

O início das conversações ficou marcado pela dificuldade em reunir as várias partes envolvidas. O regime sírio afirmou não dispor de qualquer parceiro para negociar, enquanto a oposição exigiu medidas imediatas a favor dos civis e acusou a comunidade internacional de estar “cega”. 

À saída da reunião de terça-feira, Bashar al-Jaafari, afastou a possibilidade de um arranque rápido nas negociações. “Estamos ainda na fase preparatória. Estamos à espera de saber com quem vamos negociar e qual a ordem do dia”, declarou o embaixador sírio junto da ONU aos jornalistas, repetindo que a outra parte “não é séria” porque “não trata as questões como políticos profissionais”.

O conflito sírio, que começou em março de 2011, já vitimou mais de 260 mil pessoas e levou a que mais de metade da população abandonasse o país. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entre março de 2011 e dezembro de 2015, foram mortos 260.758 sírios, na sua maioria combatentes. As baixas civis já excedem os 76 mil.