Os deputados do Bloco de Esquerda, PS e CDS-PP vão recomendar ao Governo várias medidas de combate às praxes académicas violentas e defesa dos estudantes, tais como a criação de redes de apoio psicológico e jurídico para alunos.

Criar uma rede que permita dar acompanhamento psicológico e jurídico aos estudantes que solicitem apoio e que denunciem situações de praxe violenta ou não consentida é uma das recomendações do projeto de resolução do Bloco de Esquerda (BE) que deverá ser votado na sexta-feira em sessão plenária.

Defendendo que o Governo devia chamar a atenção dos órgãos diretivos das escolas para que não legitimem as práticas violentas no interior e exterior das instituições, o BE vai mais além e entende que as instituições deviam mesmo realizar atividades de receção de carater lúdico e formativo aos novos alunos.

Realizar um estudo nacional tendo em vista encontrar soluções que permitam a integração sem violência de quem chega ao ensino superior é outra das propostas dos bloquistas, que sugerem ainda a criação de um folheto que deveria ser distribuído aos alunos quando se candidatam ao ensino superior.

Também o PS defende, na sua recomendação, a elaboração de um manual de boas práticas, entre outros documentos, para apoiar as instituições de Ensino Superior.

Os deputados socialistas recomendam o Governo a concretizar, “sob a forma de um plano nacional, um conjunto de ações de sensibilização junto dos jovens que se preparam para ingressar no Ensino Superior, sobre a temática das praxes académicas, aproveitando para desmistificar muitos dos comportamentos que são passivamente aceites pelos estudantes, por serem tidos como tabu ou parte inquestionável da sua vivência académica”.

Fazer um levantamento, com base em questionários periódicos e anónimos aos estudantes, das experiências sentidas pelos próprios, aquando do seu ingresso pela primeira vez no ensino superior é outras das recomendações do PS.

Também o CDS-PP vai recomendar ao Governo o reforço de medidas sobre a praxe académica, num texto em que recordou a campanha contra a praxe violenta e pelo reforço de mecanismos que responsabilizem e denunciem práticas abusivas, que começou em setembro de 2014 por iniciativa do anterior governo.

O CDS entende que “o atual governo deve prosseguir o esforço iniciado pelo governo anterior” e por isso recomenda ao Governo a realização com regularidade de campanhas de sensibilização pela “tolerância zero à praxe violenta e abusiva”.

Reforçar a articulação entre as várias redes já existentes nas diferentes instituições de ensino superior e associações académicas, designadamente os gabinetes de psicologia, os gabinetes de acolhimento de novos alunos ou os gabinetes de apoio aos estudantes, nomeadamente através da partilha de boas práticas destes gabinetes é outra das recomendações do CDS-PP.