O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, acusou, na quarta-feira, Moscovo e Damasco de procurarem uma solução militar para o conflito na Síria, em vez de uma saída política, após as negociações de paz terem sido suspensas.

As declarações de Kerry surgiram horas depois das negociações de paz sobre a Síria, sob a égide da ONU, terem sido suspensas em Genebra até 25 de fevereiro pelas Nações Unidas, que recusaram falar em “fracasso” e devolveram a bola às grandes potências.

As potênciais mundiais e regionais devem reunir-se na próxima quinta-feira, dia 11, em Munique (Alemanha) para analisar os avanços dos esforços políticos para acabar com a guerra na Síria, que provocou, em cinco anos, 260 mil mortos.

“O contínuo assalto por parte das forças do regime sírio – ativado pelos ataques aéreos russos — contra zonas controladas pelos rebeldes, e o contínuo cerco a centenas de milhares de civis por parte de milícias do regime e suas aliadas, têm sinalizado claramente a intenção de se buscar uma solução militar ao invés de permitir uma política”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana em comunicado.

Os Estados Unidos da América e a França condenaram anteriormente os bombardeamentos russos em torno da segunda cidade síria — Aleppo –, com Kerry a voltar a instar ao fim imediato da campanha aérea.

“Já passou o tempo para que pudessem cumprir as atuais obrigações e restaurar a confiança internacional relativamente às suas intenções de apoiar uma resolução pacífica para a crise síria”, disse Kerry, dirigindo-se ao regime sírio e “aos seus apoiantes”.

“Durante esta pausa [nas conversações], o mundo precisa de um ’empurrão’ numa direção — para parar a opressão e o sofrimento do povo sírio e acabar, e não prolongar, o conflito”, acrescentou.