Máquinas de venda automática? Sim, são um equipamento vulgar em qualquer grande cidade. Permitem comprar, 24 horas por dia, refrigerantes, água, chocolates, bolachas e outros produtos alimentares. Mas, em Paris, alguém decidiu lançar uma novidade.

Um talho localizado no décimo primeiro bairro da cidade, aquele onde ocorreram parte dos ataques de 11 de novembro de 2015, acaba de colocar à disposição dos clientes uma máquina que vende bifes, salsichas ou presunto. A loja chama-se L’Ami Txulette e a intenção do dono, Florence Pouzol, foi a de proporcionar aos consumidores o prazer de poderem levar para casa um pedaço de carne crua, sempre que tiverem vontade, independentemente da hora do dia ou da noite.

Os produtos são embalados em vácuo, de forma a preservar o bom estado de conservação. Um bife de 250 gramas é oferecido a 8,5 euros, enquanto umas costeletas de porco podem ser encontradas a cinco euros, numa lista de alimentos que inclui presunto do País Basco, carne de galinha e, até, ovos.

Paris, revela o Telegraph, recebeu a primeira máquina de venda automática em 2011, quando um padeiro decidiu instalar um exemplar nas imediações da sua loja, com o objetivo de vender baguetes. A iniciativa do dono do talho em causa não é, no entanto, original em França. O equipamento que disponibilizou, e que constitui um investimento de dez mil euros, é a quinta a entrar em operação no país.

Não se pense que o tema é pacífico. Defensores das tradições, como Emmanuel Gripon, contestam a potencial proliferação das máquinas. “Vão fazer com que as pessoas deixem de frequentar as nossas lojas”, membro da federação que agrupa os padeiros gauleses. “Estão a contribuir para a desertificação das zonas rurais de França e a prejudicar a vida social das comunidades”, acrescenta.

Há consumidores que veem a situação de outro modo. François Joly, que habita na zona onde a máquina de venda de carne foi instalada, considera que se trata de uma forma de facilitar a vida. “Primeiro, achámos estranho, depois percebemos que é uma boa forma de comprar carne se uma pessoa trabalha até horas tardias e quer desfrutar de um bife quando chega a casa”. Problemas? Talvez. “O que pode suceder se o sistema de refrigeração se avariar?”, questiona outro consumidor.