A Associação de Apoio a Pessoas com Cancro (AAPC) presta auxílio, sob várias formas, a cerca de 400 utentes que, na sua maioria, lhes chega através dos gabinetes sociais dos hospitais da região do Porto.

Criada na Senhora da Hora, em Matosinhos, em 2005, a AAPC é uma organização sem fins lucrativos que, de forma gratuita, auxilia os doentes oncológicos que tanto os hospitais como as Juntas de Freguesia, e até particulares, lhes fazem chegar nas mais diversas fases dos respetivos tratamentos.

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora Susana Pires Duarte explicou de que forma os doentes recebem o apoio: “Prestamos ajuda alimentar e nas necessidades emocionais numa fase muito complicada da doença, quando estão acamados, mas também nas suas casas, pelo tempo que for necessário, de forma gratuita”.

Mas não se fica por aqui o apoio, já que, segundo a responsável, os utentes podem também usufruir de “camas articuladas, de colchões antiescaras e de cadeiras de rodas”, tudo isto numa conjuntura de crise “em que os apoios à associação escasseiam” e onde o “voluntariado que resulta de parcerias é necessário para manter o espaço”.

A diminuição na receita obtida tem tido impacto, segundo Susana Pires Duarte no “apoio alimentar prestado e que está restrito a 100 famílias”.

E numa casa onde o ioga, o reiki e a meditação assumem um papel central no processo de apoio aos doentes oncológicos, a coordenadora destaca que o objetivo “é centrar o doente na associação, mas dando-lhe autonomia, potenciando as suas qualidades para que possa prosseguir e regressar ao mundo do trabalho”.

“As terapias ocupacionais como forma de melhoria da autoestima e a partilha da fase que estão a viver, sentindo a entreajuda, dando azo à sua criatividade e a focar-se em aspetos positivos”, foram aspetos sublinhados por Francisco Vieira, psicólogo voluntário na AAPC.

Para o especialista, “o apoio psicológico visa minimizar o sofrimento dos utentes, dotando-os de estratégias que lhes permitam fazer face à doença para que consigam lidar com esse processo e ajustar-se aos tratamentos”, explicando ser comum “nesta fase do tratamento os doentes sentirem medo, baixa autoestima e perdas físicas que são difíceis de gerir”. “O problema não é o sofrimento, o que destrói é não existir significado para o sofrimento”, frisou.

Destacando a importância da meditação como forma de gestão emocional pelo “controlar dos seus pensamentos e produção de melatonina” que trará um “sono mais regenerador”, Francisco Vieira sublinha também as mais-valias do ioga, “que confere maior flexibilidade muscular e utiliza a respiração como forma de manter as pessoas em alta”.

Já o reiki, “complementa a medicina tradicional, permite baixar os níveis de stress e de ansiedade, promovendo o relaxamento e dando uma sensação de conforto aos doentes”, explicou o psicólogo, que alertou para as dificuldades que a AAPC sente ao nível de apoios para o exercício da sua atividade. “Desde que se fala em crise que há problemas na área dos donativos, numa conjuntura e num papel do Estado que não está a ser feito e, pelo que sei, a associação está com imensas dificuldades”, lamentou Francisco Vieira.

A AAPC funciona de segunda a sexta-feira, entre as 9h e as 18h30, e conta com o apoio de duas assistentes sociais.