Dois dos banqueiros centrais mais influentes da Zona Euro, o alemão Jens Weidmann e o francês François Villeroy de Galhau, defenderam num artigo conjunto no jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, uma maior integração, com a nomeação de um ministro das Finanças e a criação de um conselho orçamental independente. Nesse texto de opinião publicado esta segunda-feira e citado pela Reuters, os dois responsáveis defendem que só assim será possível prosseguir com as reformas estruturais indispensáveis a um crescimento sustentável. A ação do Banco Central Europeu é considerada insuficiente para conseguir esse crescimento.

“Uma integração mais forte aparenta ser a forma mais óbvia de restaurar a confiança na Zona Euro”, defendem os presidentes dos bancos centrais alemão e francês, acrescentando que, “apesar da política monetária ter feito muito pela economia da Zona Euro, não pode criar um crescimento económico sustentável”.

Para Weidmann e Villeroy “a actual assimetria entre a soberania nacional e a solidariedade comunitária está a colocar um risco para a estabilidade da união monetária”. Já uma maior integração “favoreceria o desenvolvimento de estratégias conjuntas para as finanças públicas e reformas capazes de promover o crescimento”.

A ideia de criar um ministro das Finanças na Zona Euro chegou a ser debatida no pico da crise de dívida soberana, por altura das decisões que levaram aos bailouts da Grécia, de Irlanda e de Portugal. Os dois banqueiros centrais regressam a essa ideia, sustentando que esse novo responsável deveria estar ligado a um corpo político mais interventivo e com capacidade de tomar decisões.