Numa palavra, os ingleses resumem o que duas pessoas experimentam quando acabam de se conhecer e sentem uma ligação imediata. Os interesses e opiniões demonstradas até podem nem ser os mesmos, mas se os quase estranhos se entendem às mil maravilhas, não restam dúvidas: houve um click.

No amor e na amizade, a questão é: porque é que isto acontece? O que gera empatia entre pessoas, sobretudo quando elas são muito diferentes? Segundo as conclusões dos autores Ori Brafman e Rom Brafman publicadas no livro Click: The Magic of Instant Connections (Click: a magia das conexões instantâneas), o cerne da questão está na vulnerabilidade e no facto de o conteúdo de uma conversa ser menos importante do que a emoção demonstrada nessa conversa e o quão pessoal ela é.

“Ao colocar-se numa situação de vulnerabilidade fará com que a outra pessoa confie em si, precisamente porque está a mostrar-se emocional, psicológica e fisicamente em risco. (…) Quando ambos se tornam vulneráveis e revelam quem são, como pensam e o que sentem, criam um ambiente que propicia a abertura necessária para uma conexão imediata – o click.”, escrevem os autores, citados pela Time.

A mesma revista realça que a vulnerabilidade é o elemento do clicking que as pessoas mais conseguem controlar e que, por isso, pode ser usado as vezes que se quiser e com quem se quiser ligar. Mas é preciso ter em conta uma espécie de hierarquia da vulnerabilidade nos vários tipos de conversas que as pessoas mantêm no dia-a-dia — cada nível, se assim lhe pudermos chamar, aumenta a abertura e a probabilidade de estabelecer uma ligação sólida.

As várias fases da vulnerabilidade

1. Fática — Permite estabelecer a comunicação entre os interlocutores com frases que, no entanto, não têm qualquer contexto emocional. Um exemplo clássico é: “está tudo bem?”

2. Factual — Esta fase implica partilhar informação, talvez algum dado pessoal, mas sem emitir opiniões nem envolver emoções. “Eu vivo em Lisboa” é um bom exemplo.

3. Avaliativa — Estas frases já contêm opiniões, mas não crenças. Pode exprimir o que achou de um filme ou de uma música, por exemplo.

4. Emotiva — Se as primeiras três fases são orientadas pelo pensamento, esta é orientada pela emoção. Está focada nos sentimentos e é nesta altura que as pessoas revelam mais sobre si, como admitir que sentem a falta de alguém.

5. Pico — Este é o nível que envolve maior vulnerabilidade emocional. Os sentimentos mais profundos são revelados e com isso vem o risco de não saber como é que a outra pessoa vai reagir. São frases raramente ditas, mesmo entre pessoas muito próximas.

Ori e Rom Brafman acreditam que “podemos ajudar a criar ligações mágicas, simplesmente elevando o nível de linguagem usado, passando da [fase] fática para o pico [da vulnerabilidade]”. Segundo os autores, esta tática de nos abrirmos e sermos frontais funciona em diversas situações e permite-nos manter relações mais satisfatórias, quer a nível amoroso, quer… com o computador. “Quando estudantes de Harvard interagiram com um programa que desabafava com eles, admitindo sentir-se culpado por crashar tantas vezes, acabaram por gostar mais desse programa e sentir que era o mais útil de todos”, escreve a dupla no livro. E se até um programa consegue…