Um duplo atentado suicida na localidade de Nguetchéwé, uma aldeia do noroeste dos Camarões, matou pelo menos 11 pessoas esta quarta-feira. Segundo fontes citadas pela agência Efe, o ataque foi feito por duas meninas com cerca de 13 anos de idade que terão ligações ao grupo terrorista nigeriano Boko Haram. As duas raparigas morreram na sequência do ataque.

Além dos 11 mortos, haverá cerca de 21 feridos.

O ataque aconteceu durante um funeral. Os Camarões, que têm a Nigéria na fronteira a Este, já registaram cerca de 30 ataques terroristas da responsabilidade do Boko Haram. Como consequência, morreram 30 pessoas em 2016 desta forma.

250 milhões de dólares para combater o Boko Haram

A 1 de fevereiro, os representantes da comunidade internacional reunidos na sede da União Africana em Addis Abeba para uma conferência de doadores, prometeram 250 milhões de dólares para combater o movimento radical islâmico nigeriano Boko Haram.

“Dispomos de mais ou menos 250 milhões de dólares (231 milhões de euros)” para financiar a Força de Intervenção Conjunta Multinacional (MNJTF), que combate o Boko Haram na bacia do lago Chade, anunciou naquele dia Smail Chergui, comissário para a Paz e Segurança da União Africana (UA).

Chergui precisou que a Nigéria contribuiu com 110 milhões de dólares, a União Europeia com 50 milhões, o Reino Unido com oito milhões “já recebidos”, a Suíça com quatro milhões de francos suíços (3,6 milhões de euros) e a Comunidade de Estados do Sahel-Saara com 1,5 milhões de dólares.

O chefe de Estado do Chade, Idriss Déby, novo presidente em exercício da UA, disse esperar que as promessas de contribuições sejam “honradas urgentemente para mostrar o firme empenho na luta contra o terrorismo”.

Para combater o Boko Haram, os quatro países nas margens do lago Chade — Nigéria, Camarões, Chade e Níger — e o Benim criaram a referida força conjunta, que integra 8.700 militares, polícias e civis.

Para Chergui, aquela força tem feito “um trabalho notável” e “o Boko Haram já não ocupa o território como antes: estão escondidos na floresta”, de onde saem para realizar os atentados terroristas.

“Foram obtidos grandes resultados e devemos consolidar o adquirido”, afirmou.

O Boko Haram, que jurou lealdade ao grupo radical Estado Islâmico, já causou mais de 17 mil mortos e 2,6 milhões de deslocados na Nigéria, desde que iniciou a sua revolta, em 2009.