A vida de Einstein é muito mais complexa do que por vezes imaginamos. Sabe tudo sobre o físico cuja Teoria da Relatividade Geral acaba de ser oficialmente confirmada? Confira com estas 13 curiosidades.

Os pais estavam preocupados com as suas capacidades cognitivas

É considerado um dos maiores génios da história, mas, em criança, os seus pais até recearam que tivesse problemas cognitivos. No livro do jornalista Denis Brian, Einstein: a life, sugere-se que os pais de Albert Einstein (Hermann Einstein e Pauline Koch) ficaram alarmados com o tempo que o filho demorou até conseguir falar — não o fez antes dos três anos, como o próprio Einstein contou em 1954, ao seu primeiro biógrafo, Carl Seelig:

Os meus pais estavam preocupados porque comecei a falar tarde, comparativamente [a outras crianças], e consultaram um médico por causa disso. Não te consigo dizer que idade tinha na altura, mas não tinha certamente menos de três anos”, revelou.

Primeiro artigo científico escrito aos 15 ou 16 anos

Com que idade escreveu Albert Eistein o seu primeiro artigo científico? Com 15 ou 16 anos, ou seja, entre 1894 e 1895, segundo o site Business Insider, que cita a coleção de ensaios “A Era de Ouro da Física Teórica”, organizada pelo historiador científico Jagdish Mehra. Escreveu-o já em Itália, para onde a sua família se mudou em 1894. O seu ensaio, intitulado “Sobre a investigação acerca do estado do éter nos campos magnéticos”, foi enviado ao seu tio materno, Casar Kach, que vivia então em Antuérpia (Bélgica).

Excecional a física… não tão bom a matemática

Aos 21 anos, em 1900, Albert Einstein licenciou-se pelo Politécnico de Zurique. Nas cadeiras de física mostrou qualidades excecionais: em 14 das cadeiras que frequentou, teve nota máxima a 5. A matemática, contudo, não era tão bom, relata o Business Insider, que cita ainda uma frase do físico, já mais velho, que reflete sobre as suas considerações iniciais sobre a disciplina:

Ainda não tinha percebido, enquanto estudante, que um conhecimento mais profundo dos princípios básicos de física estava diretamente ligado aos métodos matemáticos mais complexos.”

Recorde-se que Albert Eistein também refletiu muito sobre os temas de educação, dando vários conselhos sobre como se deve educar os jovens. Pode lê-los aqui.

Depois de se licenciar foi… escriturário

Após ter-se licenciado, Albert Einstein não conseguiu arranjar trabalho enquanto académico. Assim, foi trabalhar como escriturário no município de Berne, na Alemanha. Pouco depois, começaria a trabalhar na sua Teoria da Relatividade — que mudou o mundo como o conhecemos, como confirmámos esta quinta-feira.

Inspirado pela ficção científica (e por Felix Eberty e Aaron Bernstein)

Enquanto jovem, Albert Einstein foi muito inspirado por livros de ficção científica. Em particular pelo astrónomo amador Felix Eberty e por Aarton Bernstein (sobre este último disse mesmo ter devorado o seu trabalho de forma fervorosa, segundo um artigo da revista norte-americana New Yorker). E socorreu-se mesmo do trabalho de Bernstein para, nas suas sessões públicas de 1916, tentar explicar a sua Teoria da Relatividade.

E do que falava Felix Eberty, por exemplo? Da possibilidade de, no futuro, a humanidade viajar a uma velocidade superior à velocidade da luz.

Um dos grandes inimigos para a vida: Henri Bergson

O filósofo francês Henri Bergson foi um dos grandes inimigos de Albert Einstein. Segundo a New Yorker, este ficou “particularmente irritado” pela proeminência de cientistas (que não de ciências sociais) e físicos no meio intelectual (e Einstein era um delas). Nas suas teorias defendia que a noção de tempo não podia ser reduzida ao tempo cronometrado, visível nos relógios, e que a ciência exata e o racionalismo não eram as melhores ferramentas para compreender a realidade.

Einstein opunha-se, e os dois discutiram o assunto para o resto das suas vidas. Henri Bergson chegou mesmo a sugerir que o talento de Einstein não era assim tão diferente do de H. G. Wells, escritor de ficção científica, cujo romance “A Máquina do Tempo” considerava o tempo como pertencendo a uma quarta dimensão.

Quando ganhou um Nobel, não foi pela teoria da relatividade

Quando Albert Einstein ganhou o prémio Nobel da Física, em 1921, não foi com a Teoria Geral da Relatividade, mas “pelos seus serviços para a Física Teórica, em especial pela sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico”. A New Yorker liga o facto de Einstein não ter ganho um Nobel pela Teoria da Relatividade às críticas feitas por Henri Bergson: diz que as objeções deste último “foram parcialmente responsáveis” por isso.

No ano seguinte, o CEO do Comité do Nobel para a Física, Svante Arrhenius, citava mesmo o confronto de posições entre os dois:

Não há, provavelmente, algum físico vivo cujo nome se tenha tornado tão conhecido quanto o de Albert Einstein. Muita da discussão centra-se na sua teoria da relatividade… não será segredo para ninguém que o famoso filósofo Bergson, em Paris, desafiou esta teoria, enquanto outros filósofos a aclamaram por todo o mundo. A teoria em causa também tem implicações astrofísicas que estão a ser rigorosamente examinadas neste momento”, dizia.

O primeiro a confirmar a teoria da relatividade a partir da Terra: Arthur Eddington

Um dos primeiros a confirmar a teoria da relatividade, a partir da Terra, foi uma equipa conduzida pelo astrofísico britânico Arthur Eddington, através de uma observação de um eclipse solar, feita num ex-território português: São Tomé e Príncipe. Segundo a New Yorker, Arthur Eddington foi questionado sobre a dificuldade da compreensão da teoria da relatividade.

Quando lhe perguntaram se era verdade que só três pessoas no mundo é que compreendiam a teoria da relatividade, Arthur Eddington não confirmou. Disseram-lhe que estava a ser modesto: afinal, a complexidade da teoria era mesmo muito elevada. Eddington respondeu:

Pelo contrário. Estou apenas a questionar-me sobre quem será o terceiro a compreendê-la [para além dele e de Einstein]”, disse.

Einstein chegou a ter dupla nacionalidade

Quando Adolf Hitler subiu ao poder, na Alemanha, e impediu os judeus de exercerem qualquer cargo oficial, Albert Einstein (que era judeu) ficou desempregado, pelo que se mudou pouco depois (ainda em 1933) para os Estados Unidos. Dois anos depois, segundo o Business Insider, pediria nacionalidade americana, que viria a obter em 1940.

Ainda segundo o mesmo site, terá enviado cartas a vários países, pedindo asilo para judeus germânicos. Terá salvo centenas de pessoas com isso, segundo o livro “Einstein: a sua vida e o universo”, de Walter Isaacson.