A CGTP considerou que os recentes dados sobre o desemprego divulgados pelo INE mostram que o número de trabalhadores desempregados “continua muito alto”, alertando que a esmagadora maioria deles não tem qualquer proteção social.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou na quarta-feira que a taxa de desemprego subiu 0,3 pontos percentuais para 12,2% no quarto trimestre de 2015 face ao anterior e que a taxa média anual caiu 1,5 pontos percentuais no ano passado em relação a 2014, para 12,4%.

Segundo a CGTP, “a análise desta realidade só fica completa se se juntarem os mais de 522 mil desencorajados e subempregados e os cerca de 64 mil desempregados ocupados em Contratos Emprego-Inserção e estágios do IEFP, que o INE contabiliza como empregados”.

Incluindo os grupos referidos pela central sindical, haveria mais de um milhão e 168 mil desempregados e subocupados, correspondendo a 22% da população ativa.

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Ao mesmo tempo, acrescenta, a emigração permanece elevada, embora um pouco inferior ao que se verificou em anos anteriores.

Para a CGTP, a taxa de desemprego entre os mais jovens continua altíssima (32% em termos oficiais), assim como o desemprego de longa duração, com 63,5% dos desempregados à procura de emprego há um ano ou mais.

“Isto num quadro em que a cobertura das prestações de desemprego diminuiu relativamente a 2014, não chegando sequer a um terço do número real de desempregados, e o seu valor tem vindo a baixar. Em 2015 o valor médio das prestações de desemprego foi de apenas 452 euros, quando um ano antes era de 466 euros”, sinaliza.

De acordo com a CGTP, o ano de 2015 fica também marcado pelo aumento da precariedade do emprego.

“Oito em cada dez empregos criados em termos líquidos em 2015 não tem um vínculo permanente, o que significa que o emprego que está a ser criado não é estável nem tem qualidade”, refere a central sindical.

Segundo os dados dos sindicatos, a precariedade atinge pelo menos 22% dos assalariados, sendo de mais de 65% no caso dos jovens até aos 25 anos.

Por outro lado, acrescenta a CGTP, cerca de um terço dos trabalhadores aufere menos de 600 euros mensais e outros 28,5% recebem salários entre 600 e 900 euros, ao mesmo tempo que o nível de escolaridade dos trabalhadores tem vindo a aumentar.

“Estes dados demonstram que o modelo económico implementado no nosso país continua a assentar em trabalho precário e mal pago”, conclui.

A CGTP lembra, a propósito, os dados recentes da OCDE, onde Portugal surge como um dos piores países para trabalhar, estando em quarto lugar na lista de países com mais insegurança no trabalho entre os que fazem parte daquela organização, apenas atrás da Grécia, Espanha e Itália.

“Esta é uma realidade que importa alterar, o que exige uma mudança de políticas com o objetivo de fomentar o crescimento económico e a criação de emprego com direitos e salários dignos, o combate à precariedade, assim como o aumento da proteção no desemprego, garantindo o acesso de mais beneficiários às prestações durante mais tempo, bem como a elevação do valor médio das prestações”, defende a central.