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Economia

A queda do BES em livro e na primeira pessoa: “A pessoa que me falou, pela primeira vez, do DDT foi o Manuel Pinho”

Ricardo Salgado conta todos os episódios que levaram à resolução do BES e à criação do Novo Banco. Uma conversa tida com uma jornalista enquanto estava preso em casa.

O ex-banqueiro Ricardo Salgado

EPA

“Dias do Fim”. Assim se chama o livro que a Chiado Editora colocará nas bancas já em março e que vem quebrar o silêncio do ex-banqueiro Ricardo Salgado em relação ao BES. Salgado volta à mesma ideia que defendeu na comissão de inquérito, de que a resolução do BES e a criação do Novo Banco não eram necessárias. Foi apenas uma vontade das autoridades nacionais.

Segundo a nota enviada pela Chiado Editora, o livro resulta de “uma extensa conversa” entre Ricardo Salgado e a jornalista Alexandra Almeida Ferreira durante o período em que o ex-banqueiro esteve em prisão domiciliária.

Ricardo Salgado conta todos os episódios que “geraram alta tensão na família e que conduziram à queda do Grupo Espírito Santo”, refere a nota da editora. Especial destaque para o caso BES Angola, que levou a uma dura troca de acusações entre Álvaro Sobrinho e os accionistas angolanos do banco.

“A pessoa que me falou, pela primeira vez, do Dono Disto Tudo foi o Manuel Pinho. Ele contou-me ´Sabe como lhe chamam agora? Dizem que é o Dono Disto Tudo´”, é uma das passagens do livro, cujo dia e local de lançamento ainda não foram anunciados.

Ricardo Salgado reforça a ideia de que a solução encontrada para o BES não partiu da sua vontade.

A Ministra das Finanças assistiu! Isso é uma coisa que me choca! Nas reuniões em que ela convocava os banqueiros para apoiar as empresas públicas, dentro e fora do perímetro do Estado – dívida oculta -, quando os bancos estrangeiros estavam a pedir os reembolsos das operações de crédito. E assistiu sempre, e eu fui sempre a várias reuniões, ou iam colegas como o Dr. Amílcar e o Dr. António Souto, à enorme disponibilidade que o banco sempre teve para apoiar as empresas do Estado, a área não financeira do Estado. E eram emergências porque os bancos estrangeiros estavam a exigir os reembolsos. E o Governador, na mesma altura, dizia que era melhor que existissem mais bancos estrangeiros em Portugal. Quando eram os bancos estrangeiros que estavam a tirar o tapete ao Estado.”

“Eles sabiam que o BES ia desaparecer. Eles queriam que o BES desaparecesse. Resolveram aplicar a resolução. Porque é que recusaram dois investidores a quererem o aumento de capital? Acha normal depois exigirem em 48 horas uma recapitalização que era completamente inviável?”, interroga no livro.

Ricardo Salgado fala ainda das suas relações pessoais no meio de todo o processo.”A conclusão a que chego passados todos estes anos é que amizades à séria contam-se pelos dedos de uma ou duas mãos. Mas essas valem tudo. Às vezes somos também surpreendidos pela positiva”.

Ricardo Salgado encontra-se em liberdade com Termo de Identidade e Residência e tem que se apresentar periodicamente na esquadra da PSP.

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